OMS: Desfazendo boatos sobre o vírus zika e doenças associadas

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(ONU Brasil, 09/03/2016) Acesse o guia preparado pela Organização Mundial da Saúde que esclarece dúvidas e rumores sobre a zika, as doenças associadas e as ações de combate ao Aedes aegypti.

Para esclarecer dúvidas sobre o vírus zika, os métodos de combate ao Aedes aegypti e suas possíveis relações com a microcefalia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou um guia onde explica os principais rumores que têm circulado sobre a doença transmitida pelo mosquito e a malformação congênita. Confira abaixo.

Não existem evidências de que vacinas causam microcefalia em bebês

Não há evidências que conectem qualquer vacina ao aumento do número de casos de microcefalia, que foi observado primeiramente na Polinésia Francesa, durante o surto de zika de 2013 e 2014, e mais recentemente, no nordeste do Brasil.

Uma extensa revisão de pesquisas publicadas em 2014 não encontrou evidência alguma de que qualquer vacina administrada durante a gravidez resultou em deformações de nascença. O Comitê Consultivo Global sobre Segurança de Vacinas, que fornece aconselhamento científico independente para a Organização Mundial da Saúde (OMS), chegou a uma conclusão similar em 2014.

Saiba mais sobre as atividades do Comitê aqui.

Além disso, agências regulatórias nacionais são responsáveis por garantir que os produtos liberados para a distribuição pública, como vacinas, sejam avaliados propriamente e satisfaçam os padrões internacionais de qualidade e segurança. A OMS presta assistência aos países para fortalecer seus sistemas nacionais de regulação.

Conheça as atividades da OMS junto às agências regulatórias dos Estados-membros clicando aqui.
http://www.who.int/immunization_standards/national_regulatory_authorities/strengthening/en/

Não existem evidências de que o inseticida pyriproxyfen cause microcefalia

O pyriproxyfen é um dos 12 larvicidas que a OMS recomenda para reduzir as populações de mosquito. Larvicidas são inseticidas que matam mosquitos em seu estágio larval.

Segundo análises conduzidas pela OMS, não há qualquer indicação de que o pyriproxyfen provoque efeitos de desenvolvimento que poderiam resultar em microcefalia. A OMS continua a revisar outras evidências conforme e quando elas se tornam disponíveis. A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos e pesquisadores da União Europeia chegaram a conclusões similares, ao realizarem uma avaliação separada do produto.

Larvicidas são uma arma importante no arsenal do especialista em saúde pública. Especialmente em cidades sem água encanada, as pessoas tendem a armazenar água potável em contêineres internos e externos. Essas fontes de água – assim como água parada que pode se acumular no lixo, em calhas de telhados, vasos de plantas, pneus e outros recipientes – servem como locais de reprodução ideais para os mosquitos.

Larvicidas como o pyriproxyfen são usados em contêineres nos quais as pessoas armazenam água para impedir que larvas se desenvolvam até a fase adulta. Quando as pessoas bebem água de contêineres que foram tratados com o pyriproxyfen, elas são expostas ao larvicida, mas em pequeníssimas quantidades que não provocam prejuízos para a saúde. Além disso, de 90 a 95% de qualquer larvicida ingerido é excretado na urina, dentro de 48 horas.

O pyriproxyfen tem sido usado desde o final dos anos 1990 sem ser associado a qualquer ocorrência de saúde adversa. Saiba mais sobre o produto aqui.

Não há evidências de que o surto de zika e o aumento incomum do número de casos de microcefalia no Brasil estejam associados a liberações recentes no meio ambiente de mosquitos geneticamente modificados

Em mosquitos geneticamente modificados, os genes dos machos são alterados para que sua prole não consiga sobreviver, caso os insetos acasalem com fêmeas. Esta prática de modificação genética é projetada para controlar e reduzir, significativamente, as populações de mosquitos.

Não há evidências de que mosquitos esterilizados contribuem para a transmissão da zika

Uma técnica que está sendo desenvolvida para combater a zika é a liberação em massa no meio ambiente de mosquitos machos que foram esterilizados por baixas doses de radiação. Quando um macho estéril acasala, os ovos da fêmea não sobrevivem.

A técnica já foi usada de forma bem-sucedida e em larga escala para controlar pestes de insetos que ameaçavam a agricultura e a pecuária. Não há evidências de que a técnica esteve associada a um aumento no número de casos de microcefalia ou de outras anomalias e deformações humanas.

A OMS encoraja os países afetados e seus parceiros a fortalecer o uso de intervenções já aplicadas para controlar as populações de mosquitos. Essas medidas são as linhas de defesa imediatas contra os vetores. Novas abordagens devem ser testadas de forma prudente para serem utilizadas no futuro.

Saiba mais sobre como é possível controlar as populações de mosquito aqui.

Bactérias usadas para controlar a população de machos do mosquito não estão ajudando a espalhar o vírus zika ainda mais

Bactérias, como as do gênero Wolbachia, são usadas para controlar as populações de mosquito. Elas não infeccionam humanos ou outros mamíferos. As Wolbachia são encontradas em 60% dos insetos comuns, incluindo borboletas e moscas-da-fruta.

Os mosquitos que carregam as bactérias foram liberados em diversos lugares, incluindo Austrália, Brasil, Indonésia e Vietnã, para ajudar a controlar a dengue. Quando fêmeas acasalam com machos portadores da bactéria, os ovos não são chocados, suprimindo, portanto, as populações de mosquito.

Peixes podem ajudar a combater o vírus zika

Alguns países afetados pela zika e pela dengue estão utilizando métodos biológicos como parte de uma abordagem integrada para controlar as populações de mosquito. As autoridades de El Salvador, por exemplo, com o apoio de comunidades pesqueiras, estão introduzindo peixes que se alimentam de larvas em contêineres de armazenamento de água.

Saiba mais sobre esse método de controle aqui.

Acesse no site de origem: OMS: Desfazendo boatos sobre o vírus zika e doenças associadas (ONU Brasil, 09/03/2016) 

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