ONU na luta contra a Aids também na Copa

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(Correio Braziliense, 08/05/2014) ONU convoca pessoas a se inscreverem até o dia 12 de maio para trabalhar no combate à doença durante o Mundial. O projeto nasceu durante a competição da África do Sul, há quatro anos. Em Brasília, a base do programa será no Taguaparque. Netos de Mandela virão à capital

Durante a Copa do Mundo, várias equipes da Organização das Nações Unidas (ONU) vão atuar pelo Brasil a fim de prevenir as pessoas sobre o perigo de contrair o vírus HIV. O projeto Proteja o Gol visa alertar os jovens sobre os riscos da doença, e procura voluntários para ajudar na época da competição. Os interessados têm até 12 de maio para se inscrever.

Quem for um dos 50 selecionados passará por uma capacitação de três horas, e será responsável por distribuir panfletos e prestar informações sobre a aids, além de encaminhar interessados para testagens instantâneas da doença. Em Brasília, o projeto funcionará na Fan Fest, que ocorrerá no Taguaparque.

O Proteja o Gol nasceu em 2010, no Mundial realizado na África do Sul. Organizado por um dos braços da ONU, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/aids (Unaids), ele também ocorre em campeonatos continentais de seleções de futebol, como a Copa América e a Eurocopa. Estrelas internacionais são embaixadoras da iniciativa. Entre elas, estão o zagueiro do Brasil David Luiz e o ex-meia alemão Michael Ballack. Também participam dois netos de Nelson Mandela, Ndaba e Kweku. Inclusive, os parentes do ex-líder africano virão a Brasília para agenda oficial, na época do torneio.

Para colar a imagem do Mundial com a campanha, uma bola com a logomarca do projeto roda o mundo para difundir a campanha. Diversos presidentes do continente africano já a assinaram. O objetivo dos responsáveis pelo projeto é que a presidente Dilma Rousseff também apoie a iniciativa. Segundo a diretora da Unaids Brasil, Georgiana Braga-Orillard, eles já solicitaram uma agenda com a chefe do Executivo e esperam que Dilma também ponha o nome dela na bola. “Nós estamos aguardando uma resposta. Mas acredito que ela receberá os netos do Mandela para nos apoiar”, espera.

Crescimento da doença

A diretora alerta que os índices gerais de pessoas infectadas pelo vírus no Brasil se encontra estável há alguns anos. Entre os jovens de 14 e 25 anos, porém, o número cresce a cada ano, o que preocupa autoridades de saúde. “Esses garotos não viveram a epidemia do HIV. Não perderam ídolos como Cazuza e Renato Russo, por isso, não têm a dimensão exata dos perigos de fazer sexo sem proteção”, acredita.

Daí a importância do projeto, argumenta Georgiana Braga-Orillard. “Nós precisamos fazer campanhas educativas ao máximo, para que o debate volte à pauta dos mais jovens. Com esse objetivo, preparamos panfletos e informativos bem coloridos e didáticos, para que não fiquem chatos e pouco atrativos”, conta.

A diretora explica que o Brasil oferece tratamento gratuito e tem tecnologia de ponta para o combate à aids, e que isso reforça a tese de que os índices deveriam estar na decrescente. “Nos últimos 10 anos, subiu de 0,9 para 1,9 habitante a cada 100 mil jovens com o vírus. Não há justificativa para esse aumento. Precisamos reforçar as campanhas educativas”, diz.

Como participar

Para se inscrever e ser voluntário no programa Proteja o Gol, basta acessar o site e preencher um formulário. A única exigência é ter no mínimo 18 anos. As funções dos voluntários serão: distribuir panfletos e camisinhas, prestar informações básicas sobre HIV, encaminhar pessoas para testagem e aconselhamentos, fazer jogos e brincadeiras, e prestar esclarecimentos sobre a discriminação com soropositivos.

O zagueiro da seleção brasileira David Luiz, embaixador da Boa Vontade da Unaids convida fãs de futebol para se engajarem na prevenção do HIV

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