Pais de bebês com microcefalia vivem dificuldades e descobertas

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Faz um ano que o Brasil começou a registrar um aumento de casos de bebês nascidos com microcefalia por causa do vírus da zika.

(G1, 13/10/2016 – Acesse no site de origem)

Faz um ano que o Brasil começou a registrar um aumento de casos de bebês nascidos com microcefalia por causa do vírus da zika. Pra essas famílias, os últimos 12 meses têm sido de descobertas. E dificuldades.

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Imagine o tamanho do susto e do desespero quando Cassiana deu à luz gêmeos tão diferentes: Melissa tem microcefalia; o Júnior, não. Os pais não entendem o que a ciência ainda não explica.

“A gente ainda espera uma resposta ainda da medicina”, diz o pai.
Para quem tem dois filhos da mesma idade, crescendo juntos, é impossível não perceber a diferença no desenvolvimento deles. E dentro de casa, com dedicação exclusiva, a Cassiana aprendeu que o tempo passa em ritmos diferentes para a Melissa e para o Júnior.

“A minha bebezinha, eu sei que ela vai demorar muito a aprender. E eu fico… porque eu vejo um desenvolvendo mais do que o outro”, conta a mãe.
Muitas perguntas continuam sem respostas.

“Qual é a causa da causa dessas doenças? É a pobreza, é a miséria, quais são os fatores determinantes?”, questiona Rubens Belfort Belfort Jr, professor titular da Unicef.

O Nordeste brasileiro foi o epicentro da epidemia do vírus da zika. Mas a doença se espalhou por todas as regiões do país. As comunidades sem saneamento básico são as mais vulneráveis. Metade da população brasileira não tem acesso à rede de esgoto.

Para diminuir o número de doentes a prevenção é o melhor remédio. É preciso combater o mosquito que já é bem conhecido dos brasileiros, o Aedes aegypti. No Recife, o combate é diário nos bairros que registram o maior número de casos de doenças provocadas pelo mosquito.

Uma comunidade do Recife só tem água nas torneiras dois dias por semana. Com a necessidade de acumular água, os erros se repetem e os reservatórios d’água viram criadouros do mosquito.

“Importante é a prevenção. É antecipar. É estar combatendo os focos do mosquito antes que haja o adoecimento”, destaca o gerente de vigilância ambiental do Recife, Jurandir Alves de Almeida.

Segundo o Ministério da Saúde, os investimentos para combater o mosquito mais que dobraram no último ano. E 59 mil agentes foram treinados para fazer vistorias em todo o país até o verão.

Já a tão esperada vacina começa a ser testada em macacos em novembro.
As autoridades estão em alerta. No ano passado, as mães adoeceram no primeiro semestre. E desde setembro, o número de bebês com microcefalia começou a aumentar. E, as mulheres, podem engravidar?

“A OMS faz essa recomendação porque ainda não temos vacina, ainda não temos segurança absoluta de que se possa ter uma gravidez sem o risco da microcefalia por zika. Nós estamos informando a todos dos riscos, das possibilidades que existem e as pessoas tomarão a sua decisão”, aponta Ricardo Barros, ministro da Saúde.

O primeiro ano de vida mostra que é preciso dar mais atenção e apoio para que as crianças com microcefalia sejam tratadas com dignidade. Entre tantos direitos que as famílias reivindicam, a carteira de identidade já é a primeira conquista.

Quase todas as mães perderam o emprego ou não podem trabalhar para se dedicar aos filhos. O benefício de prestação continuada, da Previdência Social, ainda é para poucos: só vale para as famílias muito pobres, com a renda inferior a R$ 220 por pessoa.

“Fomos vítimas de uma calamidade pública e merecemos, sim, uma atenção maior, uma atenção redobrada, porque não foi nossa culpa”, diz Germana Soares, presidente da União Mãe de Anjos.

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