Embora tenha caído mais de 40%, a transmissão vertical do vírus HIV (de mãe para o bebê) pode chegar a quase zero. O que ainda falta fazer?

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pautaids_miniNo rol das boas notícias trazidas pelo Boletim Epidemiológico 2009, o Ministério da Saúde informou que o país reduziu em 41,7% a incidência de casos de Aids em crianças menores de cinco anos de idade. O coeficiente de mortalidade também caiu cerca de 70% (em 1997, a razão era de 2 mortes por 100 mil habitantes, caindo para 0,6 morte em 2007).

Medidas de prevenção
A queda na taxa de transmissão da mãe para o bebê é resultado dos cuidados no pré-natal, parto e pós-parto, inclusive na amamentação. Calcula-se que 35% dos casos de transmissão ocorram durante a gestação e 65% no parto. No caso da amamentação, estima-se que o risco de infecção aumenta de 7% até 22% por exposição (mamada).

Quando não são realizadas todas as intervenções, como uso de antirretrovirais durante a gestação e de AZT injetável no parto, a taxa de transmissão vertical do HIV atinge cerca de 25% dos recém-nascidos de gestantes soropositivas, podendo ser reduzida a índices entre 1% a 2 % se aplicadas as medidas adequadas.

Estudo realizado pela Sociedade Brasileira de Pediatria mostrou que se forem adotadas todas as medidas indicadas para prevenir a transmissão, como uso de antirretrovirais durante a gravidez e de AZT injetável no parto, preferencialmente cesáreo, quando indicado; AZT oral para o recém-nascido exposto, do nascimento até 42 dias de vida; e, no lugar da amamentação, o fornecimento de fórmula infantil até os 6 meses de idade.

Ainda falta melhorar
Se o país tem elevada cobertura de pré-natal, o problema está no serviço de saúde que atende as gestantes, que não dispõe dos insumos ou não realiza como rotina a testagem para o HIV. Onde está o problema? O que falta fazer para se chegar próximo aos 2%?

Estudos questionam eficácia de programa do governo
Dois estudos recentes constataram que o programa do Ministério da Saúde para evitar a infecção de recém-nascidos pelo HIV não está funcionando satisfatoriamente. A primeira pesquisa foi realizada pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) e em trinta maternidades e pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em quatro centros hospitalares, todos integrantes do projeto Nascer-Maternidades, do Ministério da Saúde.

As conclusões: faltavam insumos como teste rápido para Aids, gestantes soropositivas identificadas não receberam o AZT e, entre os recém-nascidos, parte também não foram medicados com AZT e só 52% tiveram acesso à fórmula infantil e puderam substituir o leite materno. Foi apontada também a falta de qualificação da mão de obra e a desorganização do sistema.

Leia também:

Prevenção da transmissão de HIV de mãe para filho é falha (Portal G1 – 17/09/09)

Indicação de fontes:

Ana Cristina Tanaka – médica
Departamento de Saúde Materno-Infantil da Faculdade de Saúde Pública da USP
(11) 3061-7100 / 3061-7128 / 3061-7721
[email protected]
Fala sobre: saúde pública; saúde da gestante; morte materna; índices de mortalidade materna

Naila Seabra Santos – médica e pesquisadora
CRT-DST/Aids – Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo
São Paulo/SP
(11) 5087-9911
Fala sobre: saúde pública; políticas de Aids; prevenção, controle, diagnóstico e tratamento

Vera Paiva – psicóloga e pesquisadora do Nepaids
Núcleo de Estudos para a Prevenção da Aids (Nepaids) do Instituto de Psicologia da USP
São Paulo/SP
(11) 3091-4184
Fala sobre: sexualidade; direito de ter filhos; atenção psicossocial

Wilza Villela – médica e pesquisadora da Unifesp
Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Unifesp
São Paulo/SP
(11) 5572-0609
[email protected]
Fala sobre: políticas de Aids; vulnerabilidade das mulheres ao HIV; transmissão vertical

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