Relatório da ONU: ‘Brasil responde pela maior taxa de aids na América Latina por ser o mais populoso da região, mas taxa de incidência é baixa’, garante Adele Benzaken

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(Agência Aids, 13/07/2016) Diretora do Departamento de Aids diz que o dado sobre mortalidade por aids está errado. Governo registrou 12 mil mortes contra 15 mil citadas pelo Unaids

“O recorte dos dados brasileiros sobre aids divulgados ontem (12) pelo Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV/Aids) foram mal interpretados”. A afirmação é da coordenadora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, do Ministério da Saúde, Adele Benzaken. Segundo a gestora, o relatório cita retrocessos no combate à aids no Brasil e no mundo, mas também destaca avanços: “Há dados positivos, como por exemplo, o fato do país saber lidar com a subjetividade do comportamento sexual e com a violência estrutural relacionadas à orientação sexual, reduzindo o estigma e a discriminação. Eles citam também que somos o primeiro país em desenvolvimento a recomendar, desde dezembro de 2013, tratamento para todas as pessoas vivendo com HIV/aids, independente de critérios clínicos e epidemiológicos. Neste aspecto, o Brasil tem sido um dos principais países a colocar pessoas em tratamento na perspectiva do acesso universal.”

Ainda, segundo o relatório, o Brasil é responsável por 40% das infecções pelo HIV na América Latina. “Somos o país mais populoso nesta região, então, é claro que vamos registrar o maior número absoluto dos casos. Mas, temos que levar em conta a taxa de prevalência da doença, que é de 0,4 no Brasil”, avaliou Adele.

De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), hoje o Brasil tem aproximadamente 206,1 milhões de habitantes. Em 2010, eram 195,2 milhões.

A gestora pediu a contextualização dos dados. “Todo número precisa ser explicado e este é um dos problemas do relatório do Unaids. Ser responsável por 40% dos casos na América Latina não quer dizer que temos a maior taxa de prevalência da região.”

O aumento no número de pessoas vivendo com HIV/aids no Brasil também foi destaque no relatório. Entre 2010 e 2015, essa população saltou de 700 mil para 830 mil pessoas. “Não são casos de aids, são pessoas infectadas pelo HIV. Essa variação em cinco anos demonstra que a incidência de HIV no país é estável. Levando em conta os dados apresentados pelo Unaids, há uma discreta redução de 22,5 para 21,5 por 100 mil habitantes neste mesmo período.”

“Na verdade estes números relacionados ao aumento de pessoas vivendo com HIV/aids reflete uma melhora na resposta à doença. Nos últimos anos ampliamos o acesso ao diagnóstico, aumentamos a cobertura de tratamento, a sobrevida e a melhoria da qualidade de vida dos soropositivos.”

A gestora fez questão de recordar que o Brasil foi um dos primeiros países do mundo a adotar a política de acesso universal ao tratamento antirretroviral na década de 1990. O número de pessoas em tratamento em 2016, segundo o Departamento de Aids, já ultrapassa 473 mil. “A estimativa de 830 mil infectados também inclui pessoas que não conhecem o seu diagnóstico e as que conhecem e optaram por não iniciar tratamento imediatamente. Desde a recomendação do tratamento para todos em dezembro de 2013, o país incluiu mais de 150 mil pessoas em terapia com antirretrovirais.”

Segundo o relatório, 15 mil pessoas morrem por ano no Brasil em decorrência da doença, aliás, este número é motivo de indignação entre os militantes que lutam contra a aids no Brasil (leia mais). “O programa da ONU sempre reportou números de óbitos por aids superiores aos registrados no sistema oficial de registro de óbitos do Ministério da Saúde. Isso porque o número é proveniente de modelagem matemática, que trabalham com erros estatísticos. Então, 15 mil é um número médio. Os dados oficiais que temos registrados no Brasil  é de cerca de 12 mil mortes por ano.”, esclareceu Adele.

“Temos que avançar muito na luta contra a aids, não quero dizer que tudo está uma maravilha, mas estamos trabalhando para melhorar”, continuou.

Prevenção

Em relação à prevenção, Adele explicou que o país vem diversificando as ações dentro de um conceito de prevenção combinada, que inclui distribuição de preservativos masculinos e femininos, gel lubrificante, ações educativas, e ampliação de acesso a novas tecnologias, tais como testagem rápida (incluindo fluido oral) e profilaxia pós-exposição (PEP). “Fomos citados no relatório como um dos países que mais compra preservativos no mundo, só em 2014, compramos mais de 1,6 bilhão de preservativos masculinos.”

Em 2014, segundo o Ministério da Saúde, o Brasil gastou 800 milhões de dólares para o enfrentamento de HIV/aids, excluindo os investimentos descentralizados com pesquisas.

A reportagem da Agência de Notícias da Aids entrou em contato com a assessoria de imprensa do Unaids Brasil solicitando uma entrevista, mas até o fechamento desta reportagem não obteve retorno.

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