Zika pode lesar cérebros de 50 mil bebês até 2020

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(O Tempo, 29/03/2016) Projeção de entidade considera eventual fracasso no combate ao Aedes.

Se o combate ao mosquito Aedes aegypti ou novos remédios não impedirem a epidemia de zika de se alastrar em áreas mais populosas do Brasil, Artur Timerman, presidente da Sociedade Brasileira de Dengue e Arboviroses, estima que podem nascer de 50 mil a 70 mil crianças com lesões neurológicas ou microcefalia até 2020, segundo o Uol. O Ministério da Saúde, questionado sobre previsões, informou que não faz nem comenta projeções.

“A impressão que eu tenho é que nós estamos tendo uma epidemia de zika aqui, no Sudeste. A magnitude dela eu não sei. A gente vai ter que esperar um pouco a disponibilização dos exames sorológicos para poder definir mais”, afirmou.

Uma pesquisa da Fiocruz estima que o percentual de fetos com lesões neurológicas entre grávidas diagnosticadas com zika pode chegar a 29% – no entanto, o número ainda é controverso. Um estudo restrospectivo feito na Polinésia Francesa apontou que a proporção seria de 1 para 100.

O nascimento de crianças com microcefalia no Sudeste do Brasil já é uma grande preocupação de médicos e do governo com o aumento de casos suspeitos de infecção por vírus da zika na região. Somados, os quatro Estados registraram cerca de 6.500 casos suspeitos de zika até agora, de acordo com o Uol.

Em São Paulo, há ao menos 37 casos de crianças com microcefalia com características de associação ao vírus e 900 grávidas com suspeita de zika. No Rio de Janeiro, nove casos de malformação no sistema nervoso de bebês foram confirmados; no Espírito Santo, há outros quatro casos confirmados; e em Minas Gerais, mais dois.

O pico de contágio em São Paulo e Rio de Janeiro, porém, ainda é esperado para abril e maio, épocas de elevação histórica da dengue. O aumento de casos no Sudeste preocupa, pois a região concentra 42% da população brasileira, o que poderia multiplicar os casos de microcefalia. O Ministério da Saúde já alertou para a expansão da epidemia em outras regiões.

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Perigo. “Estamos prevendo expansão (do surto de zika e dos casos de microcefalia) nas regiões Sudeste e Centro-Oeste”, disse Claudio Maierovitch, diretor do Ministério da Saúde.

Brasil já soma 907 casos de microcefalia

Até o momento, o país tem 907 casos de microcefalia confirmados e mais de 4.200 em investigação. A Organização Mundial da Saúde calcula que o número de casos confirmados deve chegar a 2.500 ainda neste ano.

Sabe-se, até o momento, que o zika vírus circula em 22 Estados e no Distrito Federal. Artur Timerman, presidente da Sociedade Brasileira de Dengue e Arboviroses, diz que o grande problema é diagnosticar o zika.

Segundo ele disse ao Uol, a primeira dificuldade é que o teste disponível até o momento só funciona se aplicado na fase aguda da doença – e só a menor parte dos infectados apresenta sintomas –, e a segunda, mais grave, é que os convênios não pagam pelo exame genético de PCR, que é caro, e, na rede pública, não há testes suficientes nem para dengue.

“Sem dúvida, é preocupação baseada em evidência. No meu hospital, estou esperando nove resultados de exame de zika de pessoas que têm muita chance de ter o vírus”.

Acesse o site de origem: Zika pode lesar cérebros de 50 mil bebês até 2020 (O Tempo, 29/03/2016) 

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