10/09/2011 – Maioria dos miseráveis é negra, diz IBGE

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(O Estado de S. Paulo) A maior parte dos 4,8 milhões que vivem em extrema miséria é de negros e crianças de até 14 anos de acordo com Censo do IBGE. Há uma grande diferença entre os miseráveis sem renda que vivem em áreas rurais ou de maioria indígena e aqueles que estão nos grandes centros urbanos e podem se integrar ao mercado de trabalho.

As maiores proporções de miseráveis sem renda própria estão concentradas em municípios do Maranhão e da região Norte, nos quais há numerosa população indígena.

perfilmiseraveis_ae_estadosp10092011Os números do Censo do IBGE mostram que, em Roraima, estado que detém a maior proporção de indígenas, 9% da população total é formada por pessoas que vivem em extrema pobreza e não dispõem de renda própria. No Maranhão, estado mais pobre do Brasil, 6,7% da população – um contingente de 438 mil pessoas – vive nessas condições.

“A população sem renda que está em áreas de população indígena e de maioria rural vive fora do circuito mercantil, está em outro sistema de produção. Nessas áreas o nível de monetarização é baixo e é preciso pensar alternativas para as pessoas sem renda, porque não basta conseguir um posto de trabalho. Elas trabalham muito, mas com produtividade baixa”, argumenta a professora Lena Lavinas, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), especialista no estudo da pobreza.

“Dentro da estratégia do Programa Brasil sem Miséria, no casos dos índios e dos quilombolas, é preciso pensar, além do benefício monetário, em acesso a saúde, a educação e também a terra, afirma o antropólogo Spensy Pimentel, do Núcleo de História Indígena e do Indigenismo da Universidade de São Paulo (USP).

Lena Lavinas destaca que há uma grande diferença entre os miseráveis sem renda que vivem em áreas de maioria indígena e de extrema pobreza rural e aqueles que estão nas grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, e podem se integrar ao mercado de trabalho. “Uma coisa é fazer parte do mercado de trabalho e enfrentar problemas para conseguir emprego. Outra muito diferente é fazer parte de uma população que está distante desse mercado e não vai entrar nele”, explica a professora.

Desigualdade racial extrema
Enquanto o total de negros e pardos equivale a 50,7% da população brasileira, no universo dos miseráveis sem renda, eles representam 64,5%. Já a proporção de brancos, de 47,7% na população total, cai para 31,3% entre os miseráveis sem renda. Entre os indígenas a diferença também é grande. Os índios são 0,4% do total de brasileiros e 2,9% da população sem renda que vive em extrema pobreza.

Ações na área rural
Embora reconheça a necessidade de algum tipo de renda monetária para as famílias, a secretária extraordinária para Superação da Extrema Pobreza do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), Ana Fonseca, diz que, na área rural, além da ampliação do Bolsa Família, programa de transferência direta de renda, o Brasil sem Miséria prevê uma série de benefícios. Entre as ações que não envolvem repasse de dinheiro, estão construção de cisternas, assessoria técnica para agricultura familiar, distribuição de grãos para plantio e instalação de unidades de saúde.

Leia matérias na íntegra: Norte e Maranhão detêm maioria dos sem-rendimento (O Estado de S. Paulo – 10/09/2011)
Área rural receberá atenção especial do Brasil sem Miséria (O Estado de S. Paulo – 10/09/2011)

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(O Estado de S. Paulo) A maior parte dos 4,8 milhões que vivem em extrema miséria é de negros e crianças de até 14 anos de acordo com Censo do IBGE. Há uma grande diferença entre os miseráveis sem renda que vivem em áreas rurais ou de maioria indígena e aqueles que estão nos grandes centros urbanos e podem se integrar ao mercado de trabalho.

As maiores proporções de miseráveis sem renda própria estão concentradas em municípios do Maranhão e da região Norte, nos quais há numerosa população indígena.

perfilmiseraveis_ae_estadosp10092011Os números do Censo do IBGE mostram que, em Roraima, estado que detém a maior proporção de indígenas, 9% da população total é formada por pessoas que vivem em extrema pobreza e não dispõem de renda própria. No Maranhão, estado mais pobre do Brasil, 6,7% da população – um contingente de 438 mil pessoas – vive nessas condições.

“A população sem renda que está em áreas de população indígena e de maioria rural vive fora do circuito mercantil, está em outro sistema de produção. Nessas áreas o nível de monetarização é baixo e é preciso pensar alternativas para as pessoas sem renda, porque não basta conseguir um posto de trabalho. Elas trabalham muito, mas com produtividade baixa”, argumenta a professora Lena Lavinas, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), especialista no estudo da pobreza.

“Dentro da estratégia do Programa Brasil sem Miséria, no casos dos índios e dos quilombolas, é preciso pensar, além do benefício monetário, em acesso a saúde, a educação e também a terra, afirma o antropólogo Spensy Pimentel, do Núcleo de História Indígena e do Indigenismo da Universidade de São Paulo (USP).

Lena Lavinas destaca que há uma grande diferença entre os miseráveis sem renda que vivem em áreas de maioria indígena e de extrema pobreza rural e aqueles que estão nas grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, e podem se integrar ao mercado de trabalho. “Uma coisa é fazer parte do mercado de trabalho e enfrentar problemas para conseguir emprego. Outra muito diferente é fazer parte de uma população que está distante desse mercado e não vai entrar nele”, explica a professora.

Desigualdade racial extrema
Enquanto o total de negros e pardos equivale a 50,7% da população brasileira, no universo dos miseráveis sem renda, eles representam 64,5%. Já a proporção de brancos, de 47,7% na população total, cai para 31,3% entre os miseráveis sem renda. Entre os indígenas a diferença também é grande. Os índios são 0,4% do total de brasileiros e 2,9% da população sem renda que vive em extrema pobreza.

Ações na área rural
Embora reconheça a necessidade de algum tipo de renda monetária para as famílias, a secretária extraordinária para Superação da Extrema Pobreza do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), Ana Fonseca, diz que, na área rural, além da ampliação do Bolsa Família, programa de transferência direta de renda, o Brasil sem Miséria prevê uma série de benefícios. Entre as ações que não envolvem repasse de dinheiro, estão construção de cisternas, assessoria técnica para agricultura familiar, distribuição de grãos para plantio e instalação de unidades de saúde.

Leia matérias na íntegra: Norte e Maranhão detêm maioria dos sem-rendimento (O Estado de S. Paulo – 10/09/2011)
Área rural receberá atenção especial do Brasil sem Miséria (O Estado de S. Paulo – 10/09/2011)

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