Fenaj e grupos feministas repudiam demissão de repórter do iG que denunciou assédio

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(Portal Imprensa, 20/06/2016) A demissão na última sexta-feira (18/6) da repórter do iG, que sofreu assédio sexual do cantor MC Biel, foi recebida por muitas críticas de jornalistas e internautas. Apesar da repercussão do caso, nenhuma entidade de jornalismo havia se pronunciado sobre o tema publicamente.

IMPRENSA tentou contato com o Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo (SJSP), Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) para que pudessem se posicionar sobre o assunto.

No entanto, somente a Fenaj decidiu comentar o caso. Em nota enviada à reportagem, a entidade repudiou o assédio do cantor. “Mesmo que tenha se desculpado publicamente, dizendo que foi tudo uma brincadeira, o jovem cantor certamente sabe que brincadeiras não devem agredir nem assediar ninguém”. Porém, considera grave a demissão da repórter pelo iG. “ Em vez de defender e proteger sua profissional, a empresa a pune pela denúncia com a demissão. Essa é uma postura inadmissível, de quem culpa as vítimas de assédio e de violência sexual pela agressão sofrida”.

Fenaj ainda ressaltou que busca, junto com o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, mais informações sobre o caso. A entidades também se colocaram à disposição da jornalista.

A jornalista Nana Queiroz, diretora executiva da revista AzMina, criticou duramente o veículo por desligar a repórter depois de prometer auxiliá-la no caso. “A decisão do IG não só é de extrema irresponsabilidade jornalística, já que a missão de todo veículo de respeito é proteger seus repórteres contra abusos, como de tremendo machismo. Até quando as direções de veículos de comunicação se posicionarão em favor dos mais fortes em detrimento dos verdadeiros inocentes?”.

O coletivo Think Olga também se posicionou sobre o assunto, ressaltando que a medida do iG fez com que criassem uma campanha sob a hashtag #ViolênciaEmDobro. “O assédio sexual é uma violência em dobro. Acontece quando a mulher sofre  e se repete quando ela resolve  fazer uma denúncia. Apesar do assédio sexual ser previsto em lei e a mulher ter essa proteção, na prática  ela não se exerce. Quando a mulher fala do assédio da empresa existem outras consequências a encarar: medo de perder emprego, perder oportunidades na carreira, deixar de participar de projetos, perder promoções, ficar “queimada” dentro da empresa ou até mesmo de ser demitida e ficar “queimada” no mercado de trabalho”, diz Luíse Bello, gerente de conteúdo e comunidade OLGA.

Para ela, a falta de posicionamento das entidades de jornalismo é “uma omissão que deixa uma mensagem inequívoca de que o mercado de trabalho e as entidades que deveriam proteger  os profissionais, não estão  do lados das mulheres, não estão do lado das vítimas”.

Entenda o caso

A repórter do portal iG, cuja identidade é protegida por determinação policial, que denunciou o funkeiro MC Biel por assédio sexual durante uma entrevista, realizada em maio deste ano, foi demitida na última sexta-feira (17/6). Áudio revelado pelo portal, mostra que ela foi chamada de “gostosinha” e ouviu que o cantor “a quebraria no meio”.

Campanha Sem Assédio na imprensa 

IMPRENSA lançou a campanha #SemASSÉDIOnaimprensa. O objetivo é mostrar como repórteres do sexo feminino e masculino estão expostos ao assédio moral e sexual, tentando encontrar ao lado de especialistas e das entidades ligadas à imprensa formas de reduzir/acabar com esse tipo de ação com soluções práticas. 

Convidamos jornalistas e comunicadores de todo o Brasil a contar suas histórias, sob anonimato, se assim o desejar, para que todos possam ficar de olho e ajudar no combate ao assédio à imprensa. 

Os interessados podem mandar seus relatos para o e-mail: [email protected], colocando no assunto: depoimento sem assédio na imprensa. Garantimos que sua identidade e a do assediador serão mantidas em sigilo.

Vanessa Gonçalves

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