População quer mais diversidade entre mulheres que aparecem nas propagandas na TV

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(Débora Prado / Agência Patrícia Galvão, 01/10/2013) Pesquisa inédita lançada nesta segunda-feira mostra o conflito entre o que os espectadores veem e o que gostariam de ver nas publicidades exibidas na televisão. Os dados irão embasar um concurso de vídeos de 1 minuto para estimular o debate sobre a imagem das mulheres na publicidade.

A pesquisa Representações das mulheres nas propagandas na TV, realizada pelo Data Popular e Instituto Patrícia Galvão, foi apresentada nesta segunda-feira (30) para jornalistas, comunicadores e ativistas dos movimentos de mulheres e pela democratização da comunicação em São Paulo. A proposta é que esse lançamento e a divulgação dos resultados da pesquisa sejam um ponto de partida para debater a percepção e as expectativas da sociedade em relação à imagem da mulher na publicidade – primeiramente entre especialistas e, em breve, com a sociedade em geral e, em especial, com estudantes de faculdades de comunicação de todo o país por meio de um concurso de vídeo.

A pesquisa foi apresentada pelo diretor do Data Popular, Renato Meirelles, que destacou que o levantamento não apenas mostra que a sociedade não vê as mulheres da vida real nas propagandas, como também revela que homens e mulheres gostariam que isso fosse diferente. Na percepção da sociedade, as mulheres nas propagandas são majoritariamente jovens, brancas, magras e loiras, têm cabelos lisos e são de classe alta. Por outro lado, a maior parte dos entrevistados deseja que a diversidade da população feminina brasileira esteja mais representada: 51% gostariam de ver mais mulheres negras, 64% gostariam de mais mulheres de classe popular e 43% gostariam de ver mais mulheres gordas nas propagandas, por exemplo.

Para 65% o padrão de beleza nos anúncios está muito distante da realidade das brasileiras e 60% consideram que as mulheres ficam frustradas quando não se veem neste padrão. Na avaliação dos presentes no evento, os resultados captaram a visão crítica da sociedade em relação ao modelo de publicidade baseado no padrão único. Entre as ativistas, a pesquisa foi comemorada, pois a visão crítica da sociedade mostra que a insatisfação com o modelo midiático no País existe para além dos movimentos organizados pelos direitos das mulheres e pela democratização da comunicação.

Segundo o diretor do Data Popular, os dados revelam também uma incompetência das propagandas em relação às consumidoras brasileiras. “A não representação da mulher na propaganda cria um efeito contrário ao almejado – que seria ganhar a simpatia das consumidoras – seja porque as mulheres não se veem naquela propaganda, seja porque se frustram”, explica Meirelles.

Na sua avaliação, a demanda captada pela pesquisa por mais diversidade mostra que trabalhar dessa forma com o aspiracional nas publicidades não funciona mais hoje em dia. “O aspiracional da mulher negra não é ser loira de olhos azuis. O meu aspiracional é alguém que está próximo a mim, é meu vizinho que está tendo sucesso, por exemplo, e não o padrão de beleza europeu. A lógica da frustração não serve para vender mais no Brasil de hoje”, frisa Renato Meirelles.

Uma ferramenta para o debate sobre mulheres e mídia

“Estes dados são uma ferramenta valiosa para debatermos a imagem da mulher na mídia, já que revelam existir uma percepção contundente e coerente da população sobre este tema, para além dos argumentos do movimento feminista”, analisa a diretora-executiva do Instituto Patrícia Galvão, Jacira Melo.

Nesse sentido, a pesquisa mostrou que 84% dos homens e mulheres concordam que o corpo da mulher é usado para promover a venda de produtos nas propagandas na TV; e 58% dos entrevistados avaliam que as propagandas mostram a mulher como objeto sexual.

Além disso, outro dado bastante representativo mostra uma preocupação da população com conteúdos abusivos: 70% dos entrevistados defendem punição aos responsáveis por propagandas que mostram as mulheres de modo ofensivo.

Na avaliação dos presentes, a pesquisa revela que o modelo de autorregulação praticado hoje em dia pelo Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) no Brasil não só não tem bastado para coibir a representações ofensivas às mulheres, como também existe uma aprovação da sociedade para que ele seja complementado por ferramentas de defesa da sociedade em relação a abusos.

Concurso de vídeos vai estimular debate e reflexão

Os resultados da pesquisa e as reflexões dos especialistas presentes no lançamento do estudo servirão de ponto de partida para um concurso de vídeos que o Instituto Patrícia Galvão abrirá para a sociedade em geral, mas com um foco especial para a participação de estudantes de faculdades de comunicação de todo o país.

A ideia é expandir a reflexão sobre a imagem da mulher na publicidade – que deverá ser condensada em vídeos de 1 minuto – entre aqueles que serão os futuros comunicadores. O edital do concurso será divulgado na próxima semana pelo Instituto, que também disponibilizará uma série de entrevistas em que especialistas comentam os resultados da pesquisa.

Sobre a pesquisa

Para a pesquisa Representações das mulheres nas propagandas na TV, encomendada ao Data Popular pelo Instituto Patrícia Galvão, foram realizadas 1.501 entrevistas com homens e mulheres maiores de 18 anos, em 100 municípios de todas as regiões do país, entre os dias 10 e 18 de maio deste ano. A margem de erro é de 2,5%.

Acesse a pesquisa na íntegra: Representações das mulheres nas propagandas na TV (Data Popula/Instituto Patrícia Galvão, 2013)

 

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