Obama diz que não há mais espaço para tradições que oprimem a mulher

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(G1/Mundo, 26/07/2015) No Quênia, Obama pediu o fim das violações dos direitos da mulher. ‘São tradições que precisam mudar’, disse o presidente dos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou neste domingo (26) que no século XXI “não há espaço” para aquelas tradições que, em muitas partes do mundo, seguem “oprimindo” e considerando as mulheres “cidadãos de segunda classe”.

Em discurso dado em um pavilhão esportivo de Nairóbi, Obama pediu o fim das práticas que violam os direitos da mulher no mundo todo. “Ao redor do mundo, há uma tradição de oprimir às mulheres. Não há espaço para isto no século XXI”, criticou.

As violações dos direitos das mulheres, com práticas tão abusivas como a mutilação genital ou os abusos, estão muito estendidas no Quênia e vários países africanos, onde Obama acredita ser necessário lutar pela igualdade de gênero.

“Maridos batendo nas mulheres, crianças que não vão à escola, casamentos forçados… são tradições. Considerar as mulheres cidadãos de segunda classe. São tradições que precisam mudar”, reforçou.

Segundo o presidente americano, as estatísticas refletem que as comunidades que dão as mesmas oportunidades a suas filhas são mais bem-sucedidas. “As mulheres instruídas tem mais probabilidades de educar filhas instruídas”, ressaltou Obama, conhecedor das tradições e da situação da mulher no Quênia, onde nasceu seu pai.

“Cada país e cada cultura tem tradições que são únicas, mas só por ser algo do passado não significa que seja certo”, ponderou.

O presidente dos Estados Unidos se referiu, neste sentido, ao debate provocado em seu país sobre a bandeira confederada, adotada pelos Estados do sul para defender a escravidão.

“Cada vez mais americanos se dão conta que essa bandeira deveria desaparecer, embora seja uma tradição”, ilustrou.

Obama conclui hoje sua primeira visita como presidente ao Quênia, para onde viajou em um par de ocasiões, após ter pedido mais investimentos na África e ter fechado acordos em matéria de segurança e cooperação com o presidente queniano, Uhuru Kenyatta.

O presidente americano viajará nesta tarde à Etiópia, país no qual pisará pela primeira vez, antes de finalizar um visita que lhe levou pela quarta vez à África desde que chegou ao poder.

Corrupção

O presidente dos Estados Unidos também estimulou os africanos neste domingo a rebelar-se contra “o câncer da corrupção” para ultrapassar um obstáculo que impediu o desenvolvimento do continente.

“Na África há muitos países que sofrem este problema, e se tolera porque sempre esteve por aí”, disse Obama em discurso pronunciado em um abarrotado ginásio poliesportivo de Nairóbi.

Segundo o presidente americano, “será preciso tomar decisões difíceis, mas o progresso requer que se enfrente os cantos mais obscuros do passado”, razão pela qual líderes políticos, sociedade civil e cidadãos deverão trabalhar juntos para reverter esta situação.
A luta contra a corrupção só será efetiva se houver “leis duras”, mas também “um povo que se levante e diga basta”, ressaltou.

Apesar dos evidentes problemas que padece este país por causa da corrupção, Obama louvou o governo queniano por suas iniciativas para combatê-la, como o recente relatório no qual apontava políticos de alto escalão que tinham casos pendentes de investigação.

Acesse no site de origem: Obama diz que não há mais espaço para tradições que oprimem a mulher (G1/Mundo, 26/07/2015)

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