‘É muito medo das vozes femininas’: das câmaras municipais ao Senado, mulheres parlamentares têm suas falas constantemente interrompidas

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(O Globo| 07/05/2021 | Leda Antunes)

“Não entendo porque tanto medo das vozes femininas aqui”, questionou a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) na sessão de quarta-feira (5) da CPI da Covid no Senado, após senadores governistas se irritarem com o acordo feito para que a bancada feminina pudesse fazer perguntas durante a sessão, mesmo sem integrar oficialmente a comissão de inquérito.

Na véspera, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), havia acordado que as senadoras tivessem prioridade na oitiva de Nelson Teich, ex-ministro da Saúde, já que nenhum dos 18 assentos da CPI é ocupado por uma mulher. Embora não fizesse parte do regimento, o combinado não teve nenhuma oposição dos presentes na sessão de segunda-feira, mas quando Aziz passou a palavra à Gama no dia seguinte, irritou os senadores Ciro Nogueira (PP-PI), Marcos Rogério (DEM-RO) e Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE).

“Se foi um erro as lideranças não indicarem as mulheres, a culpa não é nossa”, disse Nogueira. Ao que senadora que estava com a palavra respondeu, dizendo não entender porque o temor das falas femininas na CPI. Os ânimos se exaltaram e Gama não conseguiu concluir sua fala em função das interrupções dos colegas. A sessão chegou a ser suspensa por alguns minutos.

Após ser retomada, o presidente da CPI mais uma vez concedeu a palavra à representante da bancada feminina, que, ao ser interrompida novamente, foi categórica: “Vossa excelência pensa que vai calar a gente? Do jeito que o senhor não admite meu grito, eu também não admito o seu”, disse Gama em resposta a Nogueira. Ela enfim conseguiu concluir suas perguntas ao ex-ministro da saúde.

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