Precisamos falar sobre os piores sintomas da menopausa: desinformação e falta de diagnóstico, por Silvia Ruiz

23 de abril, 2026 Estadão Por Silvia Ruiz

Essas barreiras ainda impedem o tratamento adequado dos sintomas típicos dessa fase da vida da mulher

“Eu não me sinto mais eu mesma.” Eu tinha 48 anos, e essa era a sensação que resumia o meu momento. Tudo estava estranho: ganho de peso inesperado (sem ter mudado nada na dieta), uma sensação constante de cansaço, crises de ansiedade ao longo do dia, muitas vezes de madrugada, e, o pior, um cérebro que parecia estar me abandonando. Esquecimento de palavras, perda frequente de chaves, óculos e objetos pela casa, falha de raciocínio no meio de frases em reuniões de trabalho. Seria Alzheimer se instalando? O medo tomou conta.

Foram três médicos consultados e longas pesquisas no Google (como boa jornalista) até finalmente chegar a uma resposta. Não, eu não estava ficando maluca. Era perimenopausa, uma fase da transição para a menopausa absolutamente normal, que acontece com todas as mulheres. Mas, ainda assim, ninguém havia me contado nada sobre isso nos meus 48 anos. Nem mesmo médicos.

O roteiro que segui para ter esse diagnóstico e receber o tratamento adequado não é uma exceção. É a realidade da imensa maioria das mulheres no Brasil e no mundo. Um estudo conduzido pela Newson Health Research and Education revelou que um terço das mulheres no Reino Unido espera pelo menos três anos para que seus sintomas sejam corretamente diagnosticados como relacionados à menopausa, e outras 18% foram ao médico seis vezes antes de receber a ajuda de que precisavam.

E a sensação de estar perdida e não se sentir mais você mesma também é compartilhada: nada menos do que 63,3% das mulheres relataram sentir-se “não como elas mesmas” em pelo menos metade dos dias nos três meses anteriores, no estudo Women Living Better, publicado na revista científica Menopause.

Por isso, eu diria que a primeira barreira para que as mulheres passem pelo climatério com mais bem-estar e qualidade de vida passa pelo diagnóstico correto, no momento certo. E, para isso, informação é vital. Esse tem sido o meu propósito nos últimos oito anos: pesquisar, entrevistar os melhores especialistas e compartilhar informação com outras mulheres, para que a gente mude esse cenário de silêncio e estigma. Minha filha, por exemplo, certamente estará mais bem preparada para esse momento quando chegar a sua vez.

Essa será minha missão aqui no Pulsa. Ajudar outras mulheres e a mim mesma a atravessar o climatério e viver a nova fase da vida pós-menopausa como a gente merece: com potência, nos sentindo bem na nossa própria pele e na nossa melhor versão. Espero vocês aqui toda semana.

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