Quem foi Almerinda Gama, mulher negra que lutou pelo voto feminino no Brasil

21 de julho, 2026 AzMina Por Malu Lucena

Sufragista, jornalista e sindicalista, ela enfrentou o racismo e o machismo para ampliar a participação política das mulheres no Brasil

Você sabe quem realmente lutou pelo voto feminino no Brasil? A resposta não é fácil, já que os livros de história costumam ignorar mulheres que se destacaram na  construção da nossa democracia. Uma dessas lideranças é Almerinda Farias Gama: mulher negra, nordestina e sindicalista, que enfrentou o machismo e o racismo estrutural para ocupar espaço na política.

Nascida em Maceió (AL), Almerinda mudou-se ainda criança para Belém (PA). Desde cedo, ela percebeu que a educação era sua maior ferramenta de emancipação. Porém, ao entrar no mercado de trabalho formal, a dura realidade bateu à porta: a jovem descobriu que os homens ganhavam salários muito maiores para exercer a mesma função.

Indignada com a disparidade salarial, a trabalhadora começou a usar a imprensa da região para publicar crônicas denunciando a desigualdade de gênero.

Anos depois, a alagoana se mudou para o Rio de Janeiro em busca de novas oportunidades profissionais e políticas. Na então capital federal, ela se uniu à Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, uma organização sufragista.

A atuação no movimento sufragista brasileiro

O movimento feminista precisava ocupar os espaços oficiais de decisão e Almerinda encontrou desenvolveu uma estratégia para abrir uma brecha no sistema eleitoral de 1933. Com a criação de uma cota para deputados eleitos por sindicatos, a feminista articulou a fundação do Sindicato dos Datilógrafos e Taquígrafos e se tornou a única mulher a votar naquela eleição.

Pouco tempo depois, ela fundou um partido operário e se candidatou a deputada federal. Na campanha eleitoral, Almerinda defendia ensino gratuito, licença-maternidade e direitos trabalhistas — pautas que muitas vezes ficavam em segundo plano no feminismo de elite.

Essa exclusão estrutural permanece até hoje, com a ausência de mulheres negras em cargos de poder e decisão. O racismo tenta, sistematicamente, silenciar essas lideranças. Quando Almerinda faleceu, em 1999, o Estado cometeu uma violência burocrática contra sua memória: o atestado de óbito registrou sua cor como “branca” e negou que ela fosse eleitora.

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