#QueroTreinarEmPaz: Mulheres contam casos de machismo no esporte

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(UOL, 25/07/2016) Às vésperas do início dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o UOL Esporte, em parceria com as ONGs feministas Think Olga e AzMina, ergue bandeira de combate ao machismo no esporte – foi ao ar, nesta segunda-feira (25), o primeiro de uma série de cinco vídeos especiais sobre o tema. E a campanha#QueroTreinarEmPaz repercute.

Se no episódio inaugural a abordagem se dá em casos com atletas de esportes de alto rendimento, sabemos também que as piadas pejorativas, o assédio e outras formas de discriminação afetam as mulheres no exercício de atividades físicas cotidianas, como na academia, ao praticar corrida ao ar livre, ao andar de bicicleta ou ao tentar jogar bola por puro prazer – as peladas, no dicionário popular.

O chavão “isso não é coisa de menina” já lhe prejudicou de alguma forma? Use ahashtag e conte a sua história. Confira algumas abaixo.

De Rosana Peixoto, no Facebook

De Mariana Pedroso, no Facebook

De Helena Altmann, no Facebook

De Paula Ralo, no Facebook
Já ouvi diversas vezes que futebol era esporte pra menino, que menina não podia jogar, que eu era “Maria Homem”, que menina não tinha capacidade suficiente pra jogar, ainda mais em certo time, entre outras coisas que eu prefiro nem comentar. Ao longo dos anos isso foi me “desgastando” e eu acabei abaixando a cabeça e a minha autoestima. No final, eu acabei largando o futebol e esse é um dos meus maiores arrependimentos. Eu acabei perdendo uma paixão pro machismo. ?#‎QueroTreinarEmPaz? ?#‎MachismoNoEsporte?.

De Karen Cunsolo, no Facebook
Quinta-feira de rodada no Brasileirão. Peço um táxi e digo: “Palestra Itália, por favor”. Taxista diz:
– Estranho esse trânsito na Sumaré.
– É o jogo.
– Não tem jogo hoje. Hoje é quinta.
– Tem sim. Tou indo pra lá.
– Lá onde? Mora perto do estádio? Não tem jogo hoje, não, fia.
– EU ESTOU INDO PARA O JOGO, SENHOR. TEM JOGO SIM, PALMEIRAS X FIGUEIRENSE.
– Mas hoje? Tem certeza? Tá indo sozinha?
Acontece toda vez. E é por essas e muitas outras que, quando me perguntam por que eu não jogava futebol na escola, eu nem sei responder. Vivia na lateral da quadra ou do campo, mas nunca sequer acharam que era o caso de me perguntar se eu tinha interesse por aquilo.
Que as Olimpíadas sejam das mulheres que trocaram as satisfações diárias sobre suas escolhas e seus corpos por recordes incríveis e medalhas douradas.
?#‎QueroTreinarEmPaz?.

De Fernanda Schimidt, no Facebook
Muita gente que me conheceu na maturidade não tem ideia do meu passado esportivo. E, o mais importante, que foi o esporte que despertou em mim o feminismo. Era um conceito embrionário ainda, sem nome, mas estava lá, forte e muito bem definido. Quando, aos 6 anos, saí de uma escola de bairro e entrei no mundo cheio de regras da São Paulo tradicional do começo dos anos 90, descobri que meninas não podiam jogar futebol. Na na ni na não. Era proibido. Isso mesmo, esporte masculino. Como não pode? Mas eu jogava! E era boa! Melhor que muitos dos meninos! Lá pelos 11, nas aulas de educação física, vira e mexe fazíamos umas partidas ilegais, quando a professora saía da sala, com uma bola de vôlei murcha. Não lembro quando foi incluído no currículo esportivo feminino, naquele momento eu já tinha enveredado para outras modalidades… O triste é ver como essa história é a mesma para várias mulheres, pior ainda é saber que para tantas e muitas outras, aquele primeiro ‘não’ já é suficiente para minar o interesse. Assim como as piadas, e a falta de espaço (físico e virtual), e o pouco investimento, e os salários menores, e a estrutura precária, e o assédio. Se você parar para pensar, são tantas as barreiras, mas tantas, que é impressionante termos esse grupo incrível de atletas e ex-atletas, suando todo dia em busca do sonho olímpico. Várias delas são tão indescritivelmente foda que, no meio da loucurama pré-Rio 2016, pararam para compartilhar suas histórias e ajudar a dar forma a essa campanha absolutamente necessária, não só pela nova geração olímpica, mas principalmente por todas as mulheres que querem ir à academia tranquilamente, correr no parque sem medo ou que buscam apenas juntar um grupo de meninas suficiente para fazer uma partida na quadrinha atrás de casa. #QueroTreinarEmPaz.

De Aline Santiago Luz, no Facebook
A necessidade de parar com piadinhas do tipo: O time das meninas começa! Ta jogando igual menininha! Perder para uma menina não é perder para alguém fraco, e pior que você. Perder para uma menina é perder para alguém que possui as mesmas habilidades e potencial que você. Não menospreze a vitória delas! Entenda, mulheres podem ser tão boas ou até melhor que qualquer homem. ?#‎QueroTreinarEmPaz?.

De Letícia Bahia, no Facebook
Me lembro do dia em que aprendi a dar um soco. Era a segunda aula dos 2 anos e meio em que fiz kung fu. É impressionante o que acontece no punho fechado quando você rotaciona o pé e o giro vai subindo, passando pelo quadril e ganhando força, subindo pelo corpo e culminando no ombro que empurra braço e finalmente o punho: PÁ! “Eu sei dar um soco!”, pensei! Que delícia me acabar de suar enfiando a mão no saco de pancadas! Depois disso ensinei muito marmanjo a dar soco. Como tudo na vida, lutar também é algo que se aprende. Basta ter vontade – e dar risada de quem acha que o pré requisito é um pênis! ?#‎QueroTreinarEmPaz?.

Acesse no site de origem: #QueroTreinarEmPaz: Mulheres contam casos de machismo no esporte (UOL, 25/07/2016)

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