A mulher negra e o Brasil que não sabe elogiar, por Bárbara Ferrito

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Foto: Mídia Ninja

09 de agosto, 2022 Por Piauí

Para além do salário, esse é o grupo mais afetado pela precarização das relações de trabalho

(Bárbara Ferrito/Piauí) Mulata é uma palavra muito ruim. Nada nela se salva. Vem da ideia de mula, no sentido de animal híbrido, indicando a mestiçagem da pessoa. Como imagem, traz a visão erotizada, simplista e coisificada da mulher negra, como objeto de desejo e perdição. Qual não foi a minha surpresa, quando, advogada de uma empresa, fui conhecer meu novo chefe, e ele, que apelidava absolutamente todo mundo, me dedicou esse apelido. Ainda em choque, mas tentando manter a compostura, perguntei a razão pela qual eu teria um apelido. Com um sorriso impróprio para ambientes profissionais, disse: “Você deve sambar pra caramba.”

Naquele momento, eu já não era mais eu. Eu era a imagem esvaziada de uma mulher negra com todos os estereótipos possíveis. E tenho dificuldade ainda hoje, quando penso nesse dia, de saber o que gerou mais satisfação no meu chefe: me dar um apelido desses ou ver o meu desconforto e inabilidade em sair daquela situação. No final, consegui convencê-lo a não me chamar por apelido. Em troca, recebi hostilidade em todas as nossas interações, que foram bem mais numerosas do que eu gostaria, já que ele era meu chefe imediato.

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