Apple e Facebook pagam para funcionárias congelarem óvulos

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(O Globo, 14/10/2014) Como política para evitar a evasão de mulheres de seus quadros de funcionários, duas gigantes da tecnologia estão pagando para que elas congelem óvulos e possam adiar a maternidade. A iniciativa já está em vigor no Facebook e a Apple começa a oferecer o benefício a partir de janeiro. É o primeiro caso de grandes empresas que cobrem o tratamento por razões não médicas.

Leia mais: Congelar óvulos não é como congelar hambúrguer, por Cláudia Collucci (Folha de S. Paulo, 21/10/2014)

— Ter uma carreira de sucesso e crianças ainda é uma coisa difícil de conciliar — disse Brigitte Adams, defensora do congelamento de óvulos e fundadora do fórum Eggsurance.com, em entrevista à NBC.

Segundo Brigitte, ao oferecer a cobertura, as companhias estão investindo nas mulheres e apoiando que elas guiem suas vidas como elas quiserem. Ao congelar os óvulos, as mulheres podem adiar a maternidade até que estejam prontas, sem a pressão da idade. Mas o procedimento tem alto custo: ao menos US$ 10 mil para a coleta, além de US$ 500 anuais para armazenamento.

As empresas de tecnologia são conhecidas por terem pouca participação feminina e a disputa por mulheres no mercado é alto. Com o benefício, Apple e Facebook podem levar vantagem em relação às concorrentes, opina Philiip Chenette, especialista em fertilidade, que vê na medida uma “contrapartida” ao comprometimento das funcionárias.

As taxas de sucesso do procedimento são cada vez maiores, mas não existe garantia que o óvulo congelado gerará um bebê. A Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva não possui estatísticas sobre o tratamento, pelo contrário, prega cautela na confiança no congelamento de óvulos para estender a fertilidade.

Para defensores, o benefício é considerado chave para “equilibrar o campo de jogo” entre homens e mulheres. Sem a pressão do relógio biológico, as mulheres têm mais liberdade para fazer escolhas na vida. Entretanto, críticos afirmam que o procedimento tem o viés negativo de escancarar que o trabalho em algumas empresas é incompatível com a maternidade.

“As mulheres podem ser favoráveis a opção sabendo que podem trabalhar duro e ainda assim reproduzir, se elas quiserem, no futuro?”, questiona Glenn Cohen, codiretora da Escola de Direito de Harvard, em seu blog. “Ou elas podem tomar isso como um sinal que as companhias pensam que trabalho e gravidez são incompatíveis?”

Acesse o PDF: Apple e Facebook pagam para funcionárias congelarem óvulos (O Globo, 14/10/2014)

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