Facebook cria rede de mulheres empreendedoras para promover igualdade

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Rede social já capacitou 54.000 mulheres no Brasil e 70.000 na América Latina para equilíbrio de gênero

(El País, 03/12/2016 – acesse no site de origem)

O que a índia Luena Maria, líder da Associação dos Pescadores Indígenas Pataxós de Coroa Vermelha, Sul da Bahia, e a bordadeira mineira Milena Curado de Barros, da Cidade de Goiás, têm em comum? Segundo Camila Fusco, diretora de empreendedorismo do Facebook, “todas são mulheres criativas e empreendedoras, que aprenderam utilizar os recursos tecnológicos para desenvolver seus negócios e que hoje inspiraram outras empreendedoras no programa #ElaFazHistória”.

A diretora do Facebook participa nesta sexta-feira (2), do evento Brasileiras – como elas estão mudando o rumo do país. Realizado pelo EL PAÍS e o Instituto Locomotiva, o evento vai debater sobre mulheres no poder, empreendedorismo, histórias de superação, maternidade e trabalho, ativismo na rede e comunicação.

Lançado pelo Facebook no Brasil, Argentina e México, o #ElaFazHistória (#EllaHaceHistoria no portal em espanhol) está alinhado com a meta a área da empresa de treinar pequenos (as) empresários (as) para o uso das ferramentas da tecnologia para gerar renda e emprego. E por que investir especificamente em um programa para mulheres?

Só no Facebook, o número de páginas de negócios gerenciados por mulheres mais do que dobrou de 2014 para 2015. Dados do Sebrae mostram que chega a 8 milhões o número de mulheres que empreende no Brasil. Se consideradas também as informais, esse número passa de 20 milhões.

“Percebemos que muitas páginas de negócio nas redes sociais nascem antes do CNPJ”, explica a diretora da rede. É o caso da Lígia Bolos, de Roraima. “A ocupação principal da empreendedora era o setor bancário. Ela testou por seis meses para ver como seria trabalhar com a venda de bolos decorados online. E deu certo”, conta Camila.

O programa percorreu neste ano mais de 6.000 km no Brasil, além de outros países da América Latina, como Colômbia, México e Argentina, motivando empreendedores sobre o uso de recursos tecnológicos. A diretora do Facebook explica que a primeira fase do programa foi de conscientização, quando mulheres de sucesso foram convidadas para compartilhar suas histórias inspiradoras com outras empreendedoras. Já na segunda fase, de celebração, histórias de empreendedorismo entre mulheres começaram a ser coletadas em um portal, para compartilhamento de experiências. Na terceira fase, cursos de capacitação presencial foram realizados em Recife, Brasília e São Paulo. As oficinas foram desenvolvidas juntamente com as organizações Think Olga, ONU Mulher, Rede Mulher Empreendedora, Escola de Você e o programa ConnectAmericas Mulheres do BID.

O Facebook capacitou, com cursos online e presencial, 54.000 empreendedoras no Brasil e 70.000 na América Latina e recolheu cerca de 50 histórias inspiradoras, como a da índia Luena Maria, que conseguiu quebrar as barreiras da diferença de gênero de sua comunidade, para se tornar uma pescadora de sucesso. “Ela começou a estudar, pois queria pescar, uma atividade tradicionalmente masculina. Adotou elementos de tecnologia para melhorar a produtividade de seu barco, como GPS e começou a fazer venda por celular, ainda no mar”, conta Camila.

Outro depoimento no site é o de Milena, que iniciou um projeto social ao buscar uma solução para ampliar sua produção de vestidos e peças decorativas bordados à mão. Em 2008, ela lançou a Cabocla Criações, que leva trabalho, renda e contribui para redução de pena de 18 presidiários na Cidade de Goiás.

Camila destaca que o perfil do empreendedor brasileiro não é homogêneo. “No Brasil temos mais de 3 milhões de páginas de mulheres empreendedoras, que testam o ambiente online, qual post funciona melhor e que são muito responsivas, independentemente do ramo de atuação”, conta.

No próximo ano, Camila afirma que o #ElaFazHistória continuará criando uma rede virtuosa rumo a igualdade de gênero. “A ONU Mulheres prevê que serão necessários 80 anos para alcançarmos a igualdade de gênero no mundo, mas acreditamos que é possível encurtar esta distância”.

Regiane Oliveira

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