Futebol feminino: território de oportunidades ainda pouco exploradas

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A secretária de Políticas para as Mulheres, Fátima Pelaes, esteve ontem em reunião na Confederação Brasileira de Futebol – CBF juntamente com o ministro do Esporte, Leonardo Picciani, e com as representantes da bancada feminina, deputadas Soraya Santos e Laura Carneiro.

(SPM, 28/03/2017 – acesse no site de origem)

Na sede da entidade, no Rio de Janeiro, foram recebidos pelo vice presidente, Marcus Vicente, e pelo secretário geral, Walter Feldman. A secretária falou sobre o programa Rede Brasil Mulher, voltado a inserir a pauta feminina em todas as atividades governamentais e não governamentais, por meio de parcerias. Ela argumentou que há presença de mulheres em praticamente todos os segmentos, em maior ou menor escala, e que para combater a desigualdade precisamos do engajamento de parceiros.

“O ambiente do futebol ainda é muito desigual para mulheres e homens. Desigual nas oportunidades tanto para jogadoras, quanto para trabalhadoras que querem atuar no esporte. E nós temos inúmeros exemplos do quanto o esporte é ferramenta de empoderamento feminino e autonomia econômica para mulheres”, disse Fátima Pelaes, ressaltando a importância do envolvimento da CBF nesta causa.

Aposta nas categorias de base

Um dos assuntos tratados na CBF foi a aplicação de 3% da arrecadação de uma nova “raspadinha” da Caixa Econômica Federal, já aprovada pelo Congresso Nacional, no futebol feminino Sub 15 e Sub 17. “O futebol feminino é um filão pouco explorado. Por isso, a necessidade de investir nas categorias de base e fortalecer o esporte no Brasil”, afirmou a deputada federal Soraya Santos, do RJ.

Ministro apoia mais mulheres na modalidade

O ministro Leonardo Picciani, do Esporte, defendeu que mais mulheres no futebol simbolizam quebra de preconceitos e discriminações contra o universo feminino e deve ser usado como instrumento de fortalecimento das lutas pela igualdade de gênero. “A regulamentação de parte da arrecadação da raspadinha vai permitir mais investimento no futebol de meninas, fortalecendo uma estratégia de autonomia econômica, visibilidade e espaço de poder para as mulheres, por meio dessa modalidade esportiva”, sustentou Picciani.

CBF incentiva clubes a capacitar mulheres

A Confederação Brasileira de Futebol afirmou que o incentivo à participação das mulheres é uma política que já vem sendo estabelecida pela FIFA. “A Federação acredita muito no potencial feminino no futebol, principalmente após a repercussão que a modalidade obteve nas Olimpíadas do Rio de Janeiro no ano passado”, declarou o vice presidente, Marcus Vicente. Confirmando o crescimento da atuação das mulheres, Walter Feldman lembrou que o clássico pernambucano disputado ontem (26) teve uma mulher na arbitragem central – Deborah Cecília. Ele disse ainda que a CBF incentiva os clubes para capacitar mulheres ao futebol, não só como atletas e árbitras, mas também como técnicas e dirigentes.

Violência contra a mulher

O futebol, ainda um espaço de predominância masculina, oferece grandes possibilidades de tratar a temática da mulher, em campanhas educativas que abordem a violência contra as mulheres, as desigualdades de gênero, autonomia econômica, mercado de trabalho, respeito e tolerância. “Nossas duas grandes metas na SPM são a redução dos índices de feminicídio e violência contra a mulher e a igualdade de direitos entre mulheres e homens. É uma luta coletiva de toda a sociedade, por isso estamos buscando o comprometimento de todos os segmentos”, enfatizou Pelaes. Ela ponderou que, à medida em que houver mais igualdade de direitos entre homens e mulheres, a raiz da violência contra as mulheres, haverá redução de abusos e crimes contra o universo feminino. “Por isso é tão importante a participação da CBF nesta causa e nós estamos muito satisfeitos com o trabalho colaborativo”, concluiu.

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