Feminicídio de negras cresce em dez anos como sintoma da desigualdade

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Assassinatos contra mulheres brancas, amarelas e indígenas diminuíram 26,9% no período. Já o total de negras vítimas desse tipo de crime aumentou 2%

(O Globo | 09/09/2021 | Por Melissa Duarte, Raphaela Ramos e Gabriela Medeiros)

RIO E BRASÍLIA – “Tô cansada, tô estressada, hoje eu não vou bater boca com ninguém”. Era uma brincadeira que a digital influencer Bruna Quirino postou no sábado sobre o marido, que era seu empresário. Aos 38 anos, Bruna ganhava projeção em Valinhos, no interior de São Paulo, dando dicas principalmente sobre cabelo voltado para o público afro, ora em penteados de dreads, ora com black power mais comprido. Um dia depois da postagem, ela foi morta a facadas por Rodrigo Quirino, de 40 anos, com quem era casada há 20 anos e tinha uma filha, que presenciou o crime. Rodrigo se suicidou .

Na madrugada do dia 1º de setembro, a modelo de 20 anos Geordana Farias foi morta a facadas pelo ex-namorado em Ananindeua, na região metropolitana de Belém.O criminoso, que teve um relacionamento amoroso por quatro anos com a vítima, foi preso em flagrante na manhã do mesmo dia pela Polícia Civil do Pará.

O assassinato de Geordana provocou revolta e manifestações em Ananindeua, com pedidos de políticas públicas de combate à violência contra a mulher no município. O de Bruna, pela natureza de seu trabalho, ultrapassou os limites de Valinhos e causou comoção e indignação nas redes sociais. Os dois crimes compõem um quadro de desigualdade que atinge as mulheres negras em uma realidade que já é trágica, a das estatísticas de feminicídio no Brasil. Enquanto o número de mortes por violência de gênero no Brasil se reduziram, o feminicídio de mulheres negras não só não seguiu essa tendência como aumentou.

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