JÚRI ADIADO Todas Juntas contra a culpabilização da vítima no julgamento do feminicídio de Helem Moreira – Salvador/BA, a confirmar

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A TamoJuntas, organização feminista que presta assessoria multidisciplinar para mulheres em situação de violência, é assistente de acusação do caso de Helem Moreira, com a estratégia de mostrar como, no crime de feminicidio – mesmo com a luta do movimento de mulheres, que conseguiu conquistar em 2015 uma lei específica para este tipo de crime -, a defesa ainda busca se apoiar em mecanismos de “crime de honra”, contando com a tolerância de uma sociedade que ainda tenta controlar o corpo das mulheres e também das mulheres já assassinadas.

Em razão da importância desse julgamento, que pode ser mais um marco da violação ou da defesa dos direitos de todas as mulheres a uma vida sem violência e de terem respeitadas sua autonomia e poder de decisão, a Tamo Juntas convoca todas e todos a participarem desse movimento: compareça ao Fórum no dia 16 de março, a partir das 8h; e compartilhe esta mobilização! 

Sobre o feminicídio de Helem

A pedagoga Helem dos Santos Moreira, 28 anos, foi morta a facadas, em 9 de junho de 2017, em Vera Cruz, na Ilha de Itaparica/BA, por seu ex-companheiro, o taxista Ângelo Silva de Souza, que não respeitava a decisão de Helem e fazia ameaças para reatar a relação.

Ângelo Silva de Souza vai ser julgado pelo feminicído de Helem na segunda-feira (16) no Fórum Rui Barbosa, em Salvador. Ele alega que matou a ex-companheira ao descobrir um vídeo com imagens íntimas dela com outro homem.

À época do crime, o professor da Uneb, Valdelio Silva, lamentou no Facebook a morte de sua aluna e exigiu justiça: “Helem Moreira, jovem mulher e militante feminista negra, recém formada em Pedagogia pelo Departamento de Educação da UNEB Campus I, foi assassinada hoje pelo marido na Ilha de Vera Cruz, próximo a Salvador. É mais uma mulher negra vítima da violência machista assassina. A comunidade do Departamento de Educação exige justiça e punição exemplar do assassino”.

Segundo reportagem do Correio*, o conteúdo do vídeo tornou-se público em toda a Ilha de Itamaracá. “É uma tentativa de se vitimar, porque o homem machista se sente dono do corpo da mulher e acha que a mulher tem que pagar com a vida”, salienta Thiffany, amiga de Helem. “Infelizmente, nós vivemos em uma sociedade que culpabiliza as vítimas da violência. Esse tipo de argumento [do vídeo] faz com que quem morreu seja culpada de ter morrido”, desabafou a pedagoga Mirela Novaes, 35, também amiga da vítima.

Com informações do TamosJuntas e Correio*

Saiba mais: Taxista acusado de matar pedagoga em Vera Cruz será julgado no dia 9 (Correio*/BA, 03/10/2019)

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