Ferimentos não causaram morte de estudante da UFRJ

Compartilhar:
image_pdfPDF

(O Globo, 07/07/2016) Uma das hipóteses investigadas é a de envenenamento

A Divisão de Homicídios (DH) da Polícia Civil pediu a realização de exames complementares no corpo de Diego Vieira Machado, pois resultados preliminares da necrópsia indicam que os ferimentos encontrados na cabeça e nos braços não poderiam ter provocado a morte do estudante. Uma das hipóteses investigadas é a de envenenamento.

Leia mais: Alunos da UFRJ quebram o silêncio e relatam insegurança no Fundão (O Globo, 07/07/2016)

O delegado titular da DH, Fábio Cardoso, disse que o laudo de necrópsia é fundamental para a investigação do caso:

— Os exames que estamos pedindo ao Instituto Médico-Legal podem desvendar a dinâmica da morte.

ROTINA DE PROTESTOS E MEDO

Desde sábado, quando o corpo do estudante de letras da UFRJ Diego Vieira Machado, de 29 anos, foi encontrado seminu e com marcas de agressões no campus do Fundão, o medo vem ditando a rotina dos alunos. A suspeita de crime de homofobia, alimentada em parte por ameaças feitas pela internet, aumentou o pavor de quem se vê como possível alvo de grupos conservadores, que se manifestam de forma anônima. Mas o temor de outros tipos de violência, como assaltos, também fez com que áreas de convivência ficassem mais vazias. Agora, uma espécie de mapa do perigo norteia o ir e vir nos cinco quilômetros quadrados da Cidade Universitária.

— Evitamos o bloco H, onde há poucas aulas. As meninas também têm medo de ir aos banheiros que ficam no fim dos corredores. Já apareceram homens nos banheiros femininos. Estamos muito vulneráveis, mesmo dentro dos prédios da universidade — afirma a estudante de letras Nicole Cardoso, de 23 anos. — Os alunos do turno da noite são os que mais sofrem, porque o Fundão é muito mal iluminado.

Para o estudante de engenharia eletrônica Luiz Fernando Leitão, de 23 anos, o medo generalizado no campus do Fundão (onde, três dias após o assassinato, começaram a ser instaladas 17 câmeras de segurança), é fruto de descaso.

— Ninguém está imune a um assalto no Rio, a violência é endêmica e histórica na nossa cidade. O problema é a inoperância da universidade. Há falta de segurança, de iluminação. À noite, é um perigo. Mesmo que dê para ir a algum lugar do campus a pé, os alunos preferem pegar o ônibus interno, principalmente perto do hospital, por causa da violência. Ninguém sabe o que pode acontecer, quem pode ser a próxima vítima — diz Leitão, que criou a página “Assaltos UFRJ” no Facebook.

PASSEATA PELO CAMPUS

Estudantes e professores fizeram nesta quarta-feira uma passeata pelo Fundão em homenagem a Diego. Entre palavras de ordem, eles repetiram exaustivamente a frase “A nossa luta é todo dia, contra o machismo, o racismo e a homofobia”. Amanhã, às 19h, será realizada a missa de sétimo dia na Igreja de Nossa Senhora de Copacabana.

Procurado pelo GLOBO desde segunda-feira, o reitor da UFRJ, Roberto Leher, não quis dar entrevista.

Acesse o PDF: Ferimentos não causaram morte de estudante da UFRJ (O Globo, 07/07/2016)

Compartilhar: