Levantamento revela que 42 travestis e transexuais foram mortas no Brasil neste ano

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O Brasil é o país que mais mata pessoas transexuais no mundo, segundo Transgender Europe

Segundo um levantamento realizado pela Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), 42 pessoas transexuais e travestis foram assassinadas no Brasil somente neste ano. No Estado do Rio, três pessoas morreram vítimas do preconceito. Uma das vítimas foi assassinada dentro de sua própria residência no distrito de São Sebastião, em Campos do Goytacazes, no norte fluminense. Na região metropolitana, uma travesti foi baleada dentro de seu carro em Realengo, zona oeste do Rio, e outra foi espancada por traficantes em São Gonçalo.

(R7, 17/04/2017 – acesse no site de origem)

De acordo com dados do TGEU (Transgender Europe), mais da metade das mortes registradas de travestis e pessoas transexuais no mundo aconteceram no Brasil, no último ano foram 144, é a sexta vez que o país registra o maior número de homicídios motivados por transfobia. O levantamento diz ainda que a população de travestis e pessoas transexuais são 14 vezes mais expostas à violência letal do que homens gays. Segundo informações do GGB (Grupo Gay da Bahia), 27% dos casos de homicídios com vítimas pertencentes a essa parcela da população é provocado com o esfaqueamento das vítimas. Estima-se que a cada 29 horas uma pessoa LGBT é morta no país, segundo pesquisa feita pelo GGB.

Leia mais: 
Transexual que teve ficha do Exército postada na internet comemora decisão da Justiça: ‘Fiz meu papel de cidadã’ (G1/São Paulo, 19/04/2017)

Para a secretaria de articulação política da Antra, Bruna Benevides, esses casos são tratados muitas vezes como homicídios por motivo torpe e não se leva em consideração o seu caráter de crime de ódio. Ela diz que há uma grande dificuldade de abordagem desses crimes até pela própria imprensa, que muitas vezes não respeita as identidades das vítimas e trata os casos como de homofobia.

— Quando a própria mídia não respeita a nossa identidade de gênero ou nome social ao expor o nome de registro, que é responsabilidade apenas da polícia e familiares, ou mesmo a nos tratar no masculino, causa um segundo assassinato de quem somos na hora das notificações ou publicações dos casos— esclareceu Bruna, que disse ainda que no Brasil, existe um grande problema de invisibilização e desconhecimento a respeito a população de travestis e transexuais, que provoca a subnotificação dos casos.

A ativista declarou que dados como esses a deixa preocupada, ela disse que teme sair na rua em alguns horários. Segundo Bruna, ela tem evitado lugares que haja aglomeração de pessoas, onde ela possa ser vítima de alguma agressão. Em Niterói, cidade em que vive, ela informou que as travestis e transexuais conseguiram que fossem atendidas na Deam (Delegacia Especial de Atendimento à Mulher), o que minimizaria as humilhações na hora de registrar as violações e violências sofridas pelas vítimas, mas de acordo com Bruna, essa não é uma prática que acontece em todo país.

— O Estado não tem feito nada contra isso, nenhuma ação ou campanha. Só conseguimos que fôssemos atendidas na Deam esse ano porque foi um trabalho de conscientização feito através do conselho LGBT de Niterói — afirmou.

*colaborou Samuel Costa, do R7 Rio

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