LGBTfobia nos partidos: violência política, omissão e falta de financiamento

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(Gênero e Número| 1/05/2022 | Por Vitória Régia da Silva)

“Eu já sofri ameaças, já tive até um ataque de um adversário, com falas intolerantes e de discriminação. O partido nem para repudiar. Achei que o partido deveria ter feito pelo menos uma nota, uma manifestação, mas o partido não teve lado nessa discussão. Aliás, por omissão, ficaram do lado dele”, conta um vereador cis gay negro, eleito em 2020. Ele foi um dos 30 representantes LGBT+ entrevistados de forma anônima pela pesquisa “A Política LGBT+ Brasileira: entre potências e apagamentos“, feita pela organização  #VoteLGBT,  que busca analisar informações sobre representação política LGBT+ no Brasil.

Esse caso não é único. Entre os representantes pesquisados, 26% relataram ter sofrido violência por parte de pessoas da própria legenda. Além disso, 54% das candidaturas que sofreram violência buscaram ajuda do partido, mas em 56% dos casos, os partidos não fizeram nada, o que revela como a política partidária ainda é omissa nos casos de violência contra a população LGBT+. Quando analisamos as identidades, 49% sofreram ataques por sua orientação sexual; 32% sofreram ataques por serem mulheres e 29% sofreram ataques por sua identidade de gênero.

“Temos a invisibilização dessas candidaturas e os ataques mais diretos à sua identidade de gênero e a sua sexualidade. As pessoas, principalmente em cidades pequenas, questionam o que pessoas LGBTs+ vão fazer dentro da Câmara. Temos relatos de xingamento, cochichos e assédio sexual de colegas parlamentares. É uma série de violências que essas pessoas sofrem ao longo do processo todo. Das 30 pessoas que a gente entrevistou, três delas passaram fome durante a campanha eleitoral. E ainda assim conseguiram se eleger”, conta Evorah Cardoso, pesquisadora e membro do #VoteLGBT.

A pesquisa faz parte do mapeamento que a organização #VoteLGBT realiza do Legislativo brasileiro desde 2014. O levantamento identificou 556 candidaturas LGBT+ na campanha eleitoral de 2020. Dessas, 97 foram eleitas. Como não existem dados oficiais sobre candidaturas LGBT+ junto à Justiça Eleitoral, esses levantamentos são feitos por organizações LGBT+ da sociedade civil como Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT), Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), Aliança Nacional LGBTI+ e #Me Representa.

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