Mercado de trabalho ainda é hostil com homossexuais assumidos

21 de setembro, 2015

(UOL Mulher, 21/09/2015) Ser lésbica não atrapalhou a ascensão na carreira de Caroline Cardoso, 33, que ocupa um cargo comissionado em uma grande empresa, cujo nome ela prefere omitir. Contudo, depois da contratação, sua chefe lhe pediu para manter discreta sua orientação sexual, ou seja, não revelar para os colegas que é casada com outra mulher. “Ela fez isso no intuito de me defender, não queria que eu fosse chamada de sapatão”, diz.

Leia também: Políticas sobre casamentos homossexuais – Convidada: Erika Kokay, deputada (Band News, 17/09/2015)

Por alguns meses, Caroline tentou permanecer no armário, mas depois de ouvir conversas homofóbicas no ambiente de trabalho, não achou certo continuar escondendo essa informação. “Não estava aguentando, resolvi falar”, conta, mais aliviada por não precisar fingir.

O respeito à diversidade tem avançado em diversos setores da sociedade. Porém, no ambiente de trabalho, a questão ainda é permeada por bastante preconceito e discriminação.

Uma pesquisa realizada pela Elancers, empresa da área de sistemas de recrutamento e seleção, mostrou que 11% das empresas não contratariam homossexuais para determinados cargos, referindo-se a posições de liderança e nível executivo. O levantamento –divulgado em maio deste ano– foi feito com mais de 2.000 recrutadores, de cerca de 1.500 companhias brasileiras.

“Funcionários executivos representam a imagem para o público e a empresa não quer sofrer com o preconceito”, diz Cezar Tegon, presidente da Elancers.
Na pesquisa, 7% dos entrevistados também disseram que não empregariam homossexuais declarados em nenhum cargo. “Na verdade, quase 20% têm algum tipo de discriminação”, fala o executivo.

Tegon também acrescenta que no discurso muitas empresas falam que apoiam a diversidade, mas, na prática, é diferente, conforme apontam os números.

Discriminação
A orientação sexual ainda influencia fortemente a maneira como os LGBTs (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e travestis) são tratados no dia a dia do trabalho.

Em um estudo com 230 profissionais LGBT, entre 18 e 50 anos, de 14 estados brasileiros, realizado pela consultoria de engajamento Santo Caos, 40% dos entrevistados disseram que já sofreram discriminação direta. “E todos relataram ter sofrido discriminação velada no trabalho”, fala Jean Soldatelli, sócio-diretor da Santo Caos.

Por medo de serem discriminados, demitidos ou terem sua capacidade profissional colocada em xeque, muitos profissionais preferem manter em segredo sua orientação sexual.

Yannik D´Elboux
Colaboração para o UOL

Acesse no site de origem: Mercado de trabalho ainda é hostil com homossexuais assumidos (UOL Mulher, 21/09/2015)

Nossas Pesquisas de Opinião

Nossas Pesquisas de opinião

Ver todas
Veja mais pesquisas