Parada do Orgulho LGBT relembra a rebelião de Stonewall na Paulista

Compartilhar:
image_pdfPDF

Onda de protestos que sacudiu Nova Iorque há 50 anos é tema da 23ª  edição do evento, um dos maiores do mundo

(Folha de S.Paulo, 1406/2019 – acesse no site de origem)

A revolta de Stonewall Inn, uma onda de protestos contra a homofobia e transfobia que sacudiu as ruas do bairro de Greenwich Village, em Nova Iorque, em 1969, será o tema da 23ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, que será realizada no próximo dia 23 na avenida Paulista.

O tema “50 anos de Stonewall: nossas conquistas, nosso orgulho de ser LGBT+” foi escolhido, segundo os organizadores da Parada, para lembrar que, na maioria das vezes, os avanços só ocorrem depois de muita resistência e sofrimento.

A revolta de Stonewall Inn é considerada precursora dos movimentos em defesa dos direitos da população LGBT.

Ouça o podcast “Tá mais que na cara”

Em 1969, a homossexualidade era considerada crime nos Estados Unidos e em várias partes do mundo. O bar de Greenwich Village era um dos poucos pontos de encontro da população LGBT e, por isso, era alvo constante da repressão policial.

No dia 28 de junho daquele ano, gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais que frequentaram o local resolveram dar um basta. Por três dias, resistiram com pedras e pedaços de paus às investidas da polícia. Mais de 10 mil pessoas participaram das manifestações – centenas ficaram feridas e várias foram presas. Mas, a partir daí, a militância do movimento LGBT se fortaleceu e provocou mudanças nas leis e na própria sociedade.

“Hoje, as pessoas homossexuais e transexuais se expõem mais, falam mais e denunciam mais”, afirma Beth Beli, produtora cultural e fundadora do grupo Ilu Oba de Mim. Para Beth, que tem 51 anos e é lésbica, essa visibilidade é uma das principais conquistas da comunidade LGBT.

Ana Giza, produtora cultural e DJ, concorda. Ela afirma que movimentos como a revolta de Stonewall foram imprescindíveis para que a população trans deixasse de ser vista como excluída e marginalizada. “Hoje temos pessoas trans muito bem sucedidas e até duas deputadas trans na Assembleia Legislativa de São Paulo [Erica Malunguinho e Erika Hilton, que integra a bancada ativista]”, orgulha-se.

Beth Beli e Ana Giza protagonizaram uma propaganda da Avon, uma das maiores empresas de cosméticos do mundo, que abordou justamente a diversidade e o orgulho (leia texto abaixo).

FESTA E REFLEXÃO
Considerado um dos eventos de maior visibilidade da comunidade LGBT do Brasil e do mundo, a Parada de São Paulo quer relembrar as principais conquistas do movimento ao longo desses 50 anos e, ao mesmo tempo, alertar para os riscos de retrocesso.

“Esse tema reforça a ideia de que pessoas LGBT+ possuem representação social, política, cultural e jamais se renderão ao autoritarismo, ao conservadorismo, nem às ameaças de retrocessos de conquistas, arduamente alcançadas nesses 40 anos de história do movimento LGBT no Brasil e 50 anos pelo mundo. Sim, isso é um grande motivo de orgulho!”, diz o manifesto sobre a Parada deste ano.

Desde a primeira edição do evento, em 1996 na praça Roosevelt, no centro da capital paulista, a Parada leva às ruas um tema para a reflexão de toda a comunidade LGBT. Foi assim em 2002, quando o tema foi o direito à união civil entre pessoas do mesmo sexo, proposta que só foi efetivada em 2011 após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em 2004, a Parada abordou a questão da criminalização da homofobia, que só neste ano o STF equiparou ao crime de racismo.

Os organizadores do evento acreditam que, por conta do momento político do país, a Parada do Orgulho LGBT deve registrar novo recorde de público neste ano na avenida Paulista.

CAMPANHA DA AVON ABORDA REPRESENTATIVIDADE E ORGULHO

Desde o início de junho, mês do orgulho LGBT, a Avon colocou no ar uma nova propaganda da marca tendo como protagonistas quatro pessoas que usam a arte, a música e o próprio corpo como forma de resistência e de defesa dos direitos LGBT.

A percussionista Beth Beli, fundadora do grupo Ilu Oba de Mim, a performer Eric Oliveira, a manicure Ana Matheus, e a produtora cultural e DJ Ana Giza participam da campanha “Tá mais que na cara”, uma reflexão sobre resistência, representatividade e celebração.

“O que já despertou medo ou vergonha, agora é carro-chefe do nosso amor próprio”, enfatiza o comercial que, menos de 24 horas depois de estrear, já havia registrado mais de um milhão de visualizações no Youtube.

“É muito interessante ver que hoje as marcas se preocupam em mostrar a diversidade”, afirma Eric Oliveira, 20, uma das protagonistas da peça publicitária. Para Ana Matheus, 23, o comercial deve incentivar as pessoas a reconhecerem outros tipos de beleza, além do padrão que antes era imposto pela mídia.

“Quando uma menina, uma mulher negra me verem ali [no comercial] elas vão se sentir representadas”, comemora Beth Beli, 51.

Não é a primeira vez que a Avon aborda a questão do respeito às diferenças em suas peças publicitárias. Em 2017, a campanha “Cara e a Coragem” estreou na TV aberta trazendo como principal protagonista a cantora Candy Mel, transexual e ativista digital.

O movimento negro e a igualdade racial são temas constantes das propagandas da marca, que lançou no ano passado o manifesto sobre o “afrofuturismo”, que celebrava a cultura e a beleza negras.

Além do vídeo, a campanha “Tá mais que na Cara” também inclui dois podcasts realizados pelo Estúdio Folha, em que as quatro protagonistas do comercial contam um pouco de sua trajetória, e o orgulho de ser LGBT.

Assista, abaixo, o vídeo da campanha:

Para saber mais sobre a história do Orgulho LGBT no Brasil, acompanhe o infográfico abaixo:

Linha do tempo

Linha do tempo (Arte: Henrique Assale/Estúdio Folha)

Linha do tempo

Linha do tempo (Arte: Henrique Assale/Estúdio Folha)

Compartilhar: