Ligue 180 registra mais de um milhão de atendimentos a mulheres em 2026, 95% do total de 2025

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Foto: Freepik/Magnific

19 de agosto, 2026 g1 Por Júlia Christine

Levantamento do Ministério das Mulheres mostra aumento na procura pelo serviço. Violência psicológica lidera ranking de denúncias e São Paulo é o estado com mais registros.

A Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180), gerenciado pelo Ministério das Mulheres, registrou mais de um milhão de atendimentos nos primeiros sete meses deste ano.

O número de atendimentos registrados nos primeiros sete meses de 2026 já corresponde a 95% de todo o volume registrado pelo Ligue 180 durante o ano passado.

Entre 1º de janeiro e 31 de julho de 2026, foram realizados 1.035.647 atendimentos, uma média de 4.884 por dia.

Os dados constam em levantamento do ministério e mostram que o volume registrado neste ano já se aproxima do total contabilizado durante todo o ano passado.

Segundo o levantamento, a violência psicológica continua sendo a mais denunciada. São Paulo lidera o ranking de estados com mais atendimentos, enquanto a maior parte dos pedidos de informação é relacionada aos serviços da rede de proteção.

Os atendimentos foram:

  • 872.257 pedidos de informação;
  • 98.705 denúncias de violência de gênero;
  • 63.478 pedidos de orientação e serviços da rede;
  • 1.207 manifestações.

Violência psicológica lidera denúncias

A violência psicológica foi a principal violência denunciada ao Ligue 180 entre janeiro e julho deste ano. Foram:

  • 35.284 casos de violência psicológica (35%);
  • 24.273 casos de violência doméstica, prevista na Lei Maria da Penha (24,5%);
  • 18.134 casos de violência física (18%);
  • 14.635 casos de violência moral (15%);
  • 8.239 casos de violência patrimonial (8%).

Para Estela Bezerra, secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres do Ministério das Mulheres, os registros também mostram uma mudança na percepção sobre os diferentes tipos de violência.

A maioria das mulheres procura informação, mas, ao mesmo tempo, faz denúncias, com os tipos de denúncia que vivenciam”, afirmou.

Segundo ela, o Ligue 180 também ajuda a mostrar como a conscientização sobre a violência contra as mulheres tem aumentado.

Antes, só consideravam violência contra as mulheres as agressões físicas e o feminicídio. Hoje, você tem denúncias de violência psicológica, que é a primeira no ranking de denúncias”, disse a secretária.

Atendimentos em 2025

Em 2025, o serviço registrou 1.088.900 atendimentos, uma média de cerca de 3 mil por dia.

Faltam menos 50.000 atendimentos para que o serviço ultrapasse o total registrado durante todo o ano passado.

Estados com mais atendimentos

São Paulo foi o estado com o maior número de atendimentos registrados nos primeiros sete meses do ano.

Na sequência aparecem Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Sul.

  • São Paulo: 106.552 atendimentos;
  • Rio de Janeiro: 64.670;
  • Minas Gerais: 42.439;
  • Bahia: 28.143;
  • Rio Grande do Sul: 17.989.

Maioria dos pedidos de informação é sobre serviços da rede

Entre os 872.257 pedidos de informação registrados pelo Ligue 180, a maior parte é relacionada aos serviços disponíveis na rede de proteção às mulheres.

Os principais temas são:

  • 462.919 (44,70%) orientações sobre os serviços da rede;
  • 200.989 (19,4%) informações sobre o funcionamento do Ligue 180;
  • 132.042 (12,75%) informações sobre políticas e campanhas para as mulheres.

Para Estela, o canal tem papel importante não apenas no recebimento das denúncias, mas também na orientação e no encaminhamento das mulheres.

“O Ligue 180 tem sido o canal em que as mulheres, em todo o território nacional, podem ter acesso a atendentes qualificadas, com as informações necessárias sobre as tipologias de violência”, analisou a secretária.

Segundo ela, o atendimento também permite encaminhar as mulheres para os serviços disponíveis na rede de proteção.

“Para atender e encaminhar as mulheres para as redes de proteção, caso elas necessitem”, disse.

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