Levantamento do Ministério das Mulheres mostra aumento na procura pelo serviço. Violência psicológica lidera ranking de denúncias e São Paulo é o estado com mais registros.
A Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180), gerenciado pelo Ministério das Mulheres, registrou mais de um milhão de atendimentos nos primeiros sete meses deste ano.
O número de atendimentos registrados nos primeiros sete meses de 2026 já corresponde a 95% de todo o volume registrado pelo Ligue 180 durante o ano passado.
Entre 1º de janeiro e 31 de julho de 2026, foram realizados 1.035.647 atendimentos, uma média de 4.884 por dia.
Os dados constam em levantamento do ministério e mostram que o volume registrado neste ano já se aproxima do total contabilizado durante todo o ano passado.
Segundo o levantamento, a violência psicológica continua sendo a mais denunciada. São Paulo lidera o ranking de estados com mais atendimentos, enquanto a maior parte dos pedidos de informação é relacionada aos serviços da rede de proteção.
Os atendimentos foram:
- 872.257 pedidos de informação;
- 98.705 denúncias de violência de gênero;
- 63.478 pedidos de orientação e serviços da rede;
- 1.207 manifestações.
Violência psicológica lidera denúncias
A violência psicológica foi a principal violência denunciada ao Ligue 180 entre janeiro e julho deste ano. Foram:
- 35.284 casos de violência psicológica (35%);
- 24.273 casos de violência doméstica, prevista na Lei Maria da Penha (24,5%);
- 18.134 casos de violência física (18%);
- 14.635 casos de violência moral (15%);
- 8.239 casos de violência patrimonial (8%).
Para Estela Bezerra, secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres do Ministério das Mulheres, os registros também mostram uma mudança na percepção sobre os diferentes tipos de violência.
A maioria das mulheres procura informação, mas, ao mesmo tempo, faz denúncias, com os tipos de denúncia que vivenciam”, afirmou.
Segundo ela, o Ligue 180 também ajuda a mostrar como a conscientização sobre a violência contra as mulheres tem aumentado.
Antes, só consideravam violência contra as mulheres as agressões físicas e o feminicídio. Hoje, você tem denúncias de violência psicológica, que é a primeira no ranking de denúncias”, disse a secretária.
Atendimentos em 2025
Em 2025, o serviço registrou 1.088.900 atendimentos, uma média de cerca de 3 mil por dia.
Faltam menos 50.000 atendimentos para que o serviço ultrapasse o total registrado durante todo o ano passado.
Estados com mais atendimentos
São Paulo foi o estado com o maior número de atendimentos registrados nos primeiros sete meses do ano.
Na sequência aparecem Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Sul.
- São Paulo: 106.552 atendimentos;
- Rio de Janeiro: 64.670;
- Minas Gerais: 42.439;
- Bahia: 28.143;
- Rio Grande do Sul: 17.989.
Maioria dos pedidos de informação é sobre serviços da rede
Entre os 872.257 pedidos de informação registrados pelo Ligue 180, a maior parte é relacionada aos serviços disponíveis na rede de proteção às mulheres.
Os principais temas são:
- 462.919 (44,70%) orientações sobre os serviços da rede;
- 200.989 (19,4%) informações sobre o funcionamento do Ligue 180;
- 132.042 (12,75%) informações sobre políticas e campanhas para as mulheres.
Para Estela, o canal tem papel importante não apenas no recebimento das denúncias, mas também na orientação e no encaminhamento das mulheres.
“O Ligue 180 tem sido o canal em que as mulheres, em todo o território nacional, podem ter acesso a atendentes qualificadas, com as informações necessárias sobre as tipologias de violência”, analisou a secretária.
Segundo ela, o atendimento também permite encaminhar as mulheres para os serviços disponíveis na rede de proteção.
“Para atender e encaminhar as mulheres para as redes de proteção, caso elas necessitem”, disse.