Marielle é homenageada em ato no Equador contra feminicídio e violência de gênero

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A vereadora Marielle Franco, assassinada em março no Rio de Janeiro, além de mulheres e meninas vítimas de feminicídios na América Latina e no Caribe foram homenageadas por autoridades ibero-americanas e participantes da 4ª Cúpula Ibero-Americana de Agendas Locais de Gênero, em Cuenca, no Equador, ocorrida em maio (de 15 a 18).

(ONU Brasil, 08/06/2018 – acesse no site de origem)

Mais de 500 pessoas vestidas de branco empunharam velas, lamparinas e leques na “Caminhada de Mulheres pela Paz e Não Violência contra as Mulheres e Meninas nas Cidades”.

Entre as autoridades, estiveram presentes Guido Echeverri, presidente da União Ibero-Americana de Municipalistas (UIM) e governador de Cuenca; Carolina Martínez e Paola Flores, vereadoras de Cuenca; e Federico Castillo Blanco, secretário-geral da UIM. De acordo com a União Ibero-Americana Municipalista, o ato buscou expressar o sentido de apropriação do espaço público pela diversidade, reivindicando o direito de viver sem violência, com respeito e convivência em paz.

O primeiro ato da caminhada foi dedicado à vereadora Marielle Franco, sendo conduzido pela ONU Mulheres. Luiza Carvalho, diretora da ONU Mulheres para Américas e Caribe, reafirmou o compromisso da entidade com o fim da violência de gênero e prestou homenagem a Marielle.

“A ONU Mulheres agradece a todas as municipalistas, as organizações defensoras de direitos que não cansam e estão, a todo tempo, ativas e atentas ao que está acontecendo. Marchamos por mulheres e homens comprometidos com a vida, com a igualdade e com o futuro que queremos até 2030. Estamos juntas para demonstrar que a nossa solidariedade vai continuar cada vez mais forte”, disse Luiza.

Bibiana Aido, representante da ONU Mulheres Equador, lembrou o legado da vereadora Marielle Franco como porta-voz e defensora dos direitos humanos das pessoas em situação de pobreza, mulheres lésbicas e da população negra brasileira.

“Marielle queria mover as estruturas e alcançar direitos iguais. É o que nós queremos. Ela queria uma vida digna para todos, livre de violência. Marielle queria, e os violentos a mataram. Mas nós, do Sul do mundo, não calaremos sobre o feminicídio de Marielle nem de qualquer defensora ou defensor dos direitos humanos”, assinalou.

Aido também denunciou que os municípios ainda são hostis em relação à representação e à participação política das mulheres. Pontuou que a violência é mais profunda contra as mulheres negras, indígenas, pobres e LBT (lésbicas, bissexuais e trans). “Marielle representava todas nós. Agora, nós vamos representá-la e a todas as ativistas assassinadas. Seguiremos lutando por uma vida livre de violência, por igualdade substantiva e por democracias paritárias”, acrescentou Bibiana Aido.

Durante o percurso, a segunda parada simbólica foi dedicada à paz e ao fim da violência contra as mulheres. Sob a liderança da Associação Intercultural de Yachak Aiyapu Pumapongo, foram evocadas as energias da natureza e dos elementos fogo, ar, água e terra em reverência à memória das vítimas fatais e à ancestralidade. As delegações dos países lançaram globos no céu de Cuenca.

Gênero e desenvolvimento local

Com o tema “Direitos das Mulheres e Igualdade de Gênero na Democracia e no Desenvolvimento local: desafios para a Agenda 2030”, a 4ª Cúpula Ibero-Americana de Agendas Locais de Gênero, aconteceu entre 15 e 18 de maio, no Equador. O encontro reuniu lideranças políticas ibero-americanas de alto nível sobre governança municipal para a igualdade de gênero e o empoderamento político das mulheres para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

A 4ª Cúpula foi promovida pela ONU Mulheres para Américas e Caribe, Secretaria Geral Ibero-Americana (SEGIB), UIM, Prefeitura de Cuenca, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Friedrich-Ebert-Stiftung (FES) Equador, Comissão Interamericana de Mulheres (CIM), Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (CEPAL) e Universidade de Cuenca.

Caso Marielle Franco

A vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e o motorista Anderson Pedro Gomes foram assassinados em 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro, após um compromisso público da parlamentar com ativistas negras alusivo ao Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial. Em manifestação aos assassinatos, o Sistema ONU no Brasil divulgou nota em que expressou “expectativa de rigor na investigação do caso e breve elucidação dos fatos pelas autoridades, aguardando a responsabilização da autoria do crime”.

Desde então, diferentes homenagens vêm sendo realizadas em memória de Marielle e de seu legado político. “O assassinato de Marielle Franco é paradigmático porque atinge a democracia como espaço de construção de alternativas. Parece-nos necessário partir do óbvio. A existência da democracia depende de que a participação política das mulheres seja assegurada e que a violência contra as que driblam barreiras e se fazem ouvir seja contida”, disseram Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres Brasil, e Flávia Biroli, professora do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB) e membra do Grupo Assessor da Sociedade Civil Brasil da ONU Mulheres, em artigo no blog #AgoraÉQueSãoElas, da Folha de S.Paulo.

Em março, a trajetória da vereadora foi exaltada na 62ª Sessão da Comissão da ONU sobre a Situação das Mulheres, em Nova Iorque, e na ação digital #OTempoÉAgora, da ONU Mulheres Brasil, que visibilizou ativistas brasileiras ao longo do mês de março de 2018.

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