Por que nunca é demais falar sobre o bullying

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Abusos frequentes na infância deixam marcas que se estendem à vida universitária e adulta, diz pesquisa. Em alguns casos, efeitos se compararam ao da violência sexual

(Brasileiros, 06/09/2016 – acesse no site de origem)

Estudo detalha os motivos do porquê o bullying, atos de violência intencionais e frequentes contra um indivíduo (geralmente dentro de relações em que há assimetria de poder), requer atenção em todas as fases da vida.

A violência persistente na infância tem o poder de provocar traumas tão profundos em meninas como o abuso físico ou sexual grave, sugere pesquisa com estudantes universitários. O estudo, que envolveu 480 pessoas, indicou também que os efeitos nocivos do bullying podem durar anos e afetam negativamente a saúde mental das vítimas. A pesquisa foi publicada na edição on-line da Social Psychology of Education.

O levantamento é importante porque, enquanto a maioria dos estudos sobre o bullying se concentra em crianças de 3 até 12 anos (e por isso a mídia também relata mais os efeitos do trauma nessa idade), os cientistas estudaram o bullying em estudantes universitários. Os dados sugerem que essa população também está sujeita a traumas e, por isso, políticas de saúde específicas devem considerar suas necessidades.

Não se trata de uma prática nova, mas você provavelmente passou a ouvir falar mais de "bullying" nos últimos anos porque o termo ganhou popularidade após o massacre da escola de Columbine, nos Estados Unidos, em 1999. Relatos sustentam que os adolescentes Eric Harris e Dylan Klebold, que mataram 12 colegas, 1 professor e feriram 24 pessoas, foram vítimas de bullying. Eles se suicidaram após os disparos. Reprodução

Não se trata de uma prática nova, mas você provavelmente passou a ouvir falar mais de “bullying” nos últimos anos porque o termo ganhou popularidade após o massacre da escola de Columbine, nos Estados Unidos, em 1999. Relatos sustentam que os adolescentes Eric Harris e Dylan Klebold, que mataram 12 colegas, 1 professor e feriram 24 pessoas, foram vítimas de bullying. Eles se mataram após os disparos. (Foto: Reprodução)

Para chegar aos resultados, pesquisadores questionaram participantes do estudo sobre uma variedade de experiências traumáticas – incluindo o bullying, o cyberbullying e crimes como roubo, agressão sexual e violência doméstica e da comunidade. O trauma poderia ter ocorrido desde o nascimento até os 17 anos. Os alunos também relataram sobre a presença de sintomas de depressão, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).

Os alunos que experimentaram o bullying quando crianças relataram significativamente maiores níveis de problemas de saúde mental na vida adulta, concluiu o estudo. A experiência com o bullying também foi o mais forte fator de risco para sintomas do transtorno de estresse pós-traumático entre os estudantes universitários que participaram da pesquisa, superando outros tipos de trauma, tais como a exposição à violência na comunidade.

Bullying deixa marcas profundas e sérias. No estudo, violência foi um dos maiores preditores do transtorno do estresse pós-traumático em universitários. Foto ilustrativa/Ingimage

Bullying deixa marcas profundas e sérias. No estudo, violência foi um dos maiores preditores do transtorno do estresse pós-traumático em universitários. Mulheres sofrem mais. (Foto ilustrativa/Ingimage)

Ainda, de acordo com a pesquisa, mulheres sofreram mais com danos emocionais causados pelo bullying e reportaram significativamente maiores níveis de depressão, ansiedade e transtornos do que seus colegas do sexo masculino.

“A prevalência de sofrimento psíquico em crianças que foram vítimas de bullying é bem documentado, e essa pesquisa sugere que o sofrimento psicológico dos estudantes universitários pode ser ligado, em parte, às suas percepções de experiências de bullying na infância”, diz Dorothy Espelage, professora de psicologia da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, e uma das autoras do estudo.

A pesquisadora sugere que o tratamento e a abordagem do sofrimento na universidade deve levar em consideração experiências vividas também na infância.

“É preciso que esforços sejam feitos para desenvolver e implementar programas que aumentem a sensação de poder e de controle dos alunos sobre a sua vida na universidade”, disse Espelage. “Isto seria possível em um clima no campus que promova os laços de apoio entre os alunos e também entre eles e a comunidade.”

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