Seu companheiro foi agressivo? Saiba o que fazer

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(R7, 16/06/2016) Dos 4.762 homicídios de mulheres, 1.583 foram cometidos pelo parceiro ou ex-parceiro

Estudo mais recente realizado pelo Mapa da Violência no Brasil mostra que, dos 4.762 homicídios de mulheres registrados em 2013, 1.583 foram cometidos pelo parceiro ou ex-parceiro da vítima. Isso significa 33,2% dos casos. A estatística deu base, por exemplo, à promulgação da lei do feminicídio no ano passado pela presidente Dilma Rousseff. Mulheres ainda são mortas pelo fato de serem mulheres.

O estudo elaborado pela Flacso (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais) mostra, ainda, que 50,3% das mulheres foram mortas por um familiar. Por isso, especialistas alertam que as mulheres fiquem atentas a qualquer atitude violenta dos homens. É preciso ainda mais atenção quando a atitude parte do companheiro.

De acordo com a assistente social e professora Izabel Solyszko, não existe um padrão de comportamento nem um perfil do homem agressor. Porém, ela diz que “é possível observar elementos das suas práticas cotidianas que enunciam a falta de respeito e a falta de consideração do outro como sujeito”.

— Controle, ciúmes, agressividade, indiferença, são formas de maltrato que podem evidenciar que uma agressão física pode ocorrer. Um namorado que quer a senha do Facebook e do e-mail, quer controlar as mensagens do whatsapp, quer definir a roupa da namorada, as companhias, os lugares por onde ela vai e seus horários, que proíbe que ela trabalhe em um lugar onde seu chefe seja homem, que a proíbe de ter amigos homens, tudo isso é violência e não é necessário esperar um soco ou um tapa porque passar a vida sob esse controle já é viver uma vida sob violência.

Ela afirma que as violências psicológicas já são crime e que podem desencadear para violências físicas. A especialista afirma que “é bem difícil que um homem respeitoso e nada agressivo em sua cotidianidade do nada dê um tapa ou um soco na mulher”.

— É importante estar atenta a todos os sinais de maltrato que podem ser numerosos e diversos. Forçar a ter práticas sexuais que a mulher não quer, por exemplo, força-la a ter sexo quando ela não quer, obriga-la a ver filmes pornográficos. São tantos os exemplos…

Segundo ela, é muito difícil que a mulher perceba, no início, que está sendo vítima de uma relação abusiva, pois a sociedade cria a ideia de que “quem ama, sofre”. E, além de sofrer com a violência, a mulher também sofre sendo culpabilizada pela sociedade que diz que ela deveria ter escolhido melhor o parceiro, ou não demorado para tomar uma atitude, ou que ela “fez por merecer” alguma agressão.

A especialista diz que “todos esses argumentos são produto e processo de uma sociedade patriarcal que não nos considera sujeitos, que não reconhece a nossa humanidade, que nos considera algo de segunda categoria e, portanto, tudo isso é uma mentira”.

— A culpa da violência nunca, em hipótese alguma, é da mulher. Isso não significa que nós somos perfeitas ou legais ou boas pessoas, só significa que nenhuma pessoa deve sofrer nem ser exposta a qualquer tipo de violência.

De acordo com Izabel, a primeira coisa que uma mulher deve fazer ao ser agredida de alguma forma é “não reduzir a violência sofrida” e, em seguida, procurar ajuda. Nesse sentido, existem várias possibilidades institucionais e informais para que a mulher denuncie seu agressor.

— Ela pode ligar para a central de atendimento 180, que vai indicar o centro de referência de atendimento à mulher mais próximo da sua casa. Os centros de referência constituem-se no serviço mais adequado considerando que são especializados no tema e oferecem atendimento social, psicológico e jurídico.

Porém, a especialista diz que “são poucas cidades que contam com essa oferta”. Desta forma, “outros lugares seriam o centro de saúde mais próximo ou o centro de referência de assistência social”.

— De outro lado, se houve violência física ou sexual é importante buscar um serviço de saúde e comentar o ocorrido, realizar o exame de corpo delito e receber a orientação e o encaminhamento necessário.

Já os caminhos não institucionais seriam buscar sua rede de apoio mais próxima. Isso significa buscar pessoas em quem ela confie e se sinta segura como familiares, amigas e advogadas da família. Izabel ainda pondera que esse tipo de agressão não diz respeito a uma classe social específica e que todas nós estamos sujeitas a passar por uma relação abusiva e prejudicial.

— Muitas mulheres de classe média e alta sofrem violência doméstica, por exemplo, e não buscarão um serviço público para serem atendidas e é importante que elas saibam que também têm o direito de serem atendidas e acompanhadas. Além disso, toda mulher tem o direito de registrar um boletim de ocorrência em qualquer delegacia do País. Não é necessário que seja uma delegacia especializada no atendimento às mulheres.

Além disso, a mulher tem o direito a receber em menos de 48 horas uma resposta sobre as medidas protetivas solicitadas. Outra alternativa para a mulher vítima de abuso é buscar uma ONG feminista mais próxima.

— O que eu diria para uma mulher que tem medo de denunciar é que é seu direito fazê-lo, que não é um excesso, um exagero ou uma vingança como muitos podem dizer a ela, porque toda e qualquer violência contra a mulher é uma violação aos direitos humanos, e é um crime. Não existe violência menor ou maior pensando que sempre há danos para a saúde e para a integridade física e emocional.

Giorgia Cavicchioli

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