#UmaMinaAjudaAOutra: campanha incentiva sororidade no carnaval

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Mexeu com uma, mexeu com todas.

Assédio sexual e violência contra a mulher são coisas que acontecem todo dia e a toda hora no Brasil. Mas o problema fica ainda mais escancarado no carnaval. Não é de hoje que a gente vê campanhas sobre o tema pipocando durante o mês de fevereiro. Seja ~ensinando~ os homens de que beijar à força não é legal (pois é… alguns AINDA não aprenderam), seja instruindo as mulheres de que assédio sexual é crime e o 180 está aí para ser usado.

(M de Mulher, 06/02/2017 – acesse no site de origem)

Em 2016, o coletivo AzMina lançou a campanha #CarnavalSemAssédio e, esse ano, elas estão propondo um movimento focado na sororidade. É o #UmaMinaAjudaAOutra. Com um mote parecido ao do Vamos Juntas?, a proposta é disseminar a ideia de que unidas somos mais fortes. É o bom e velho “mexeu com uma, mexeu com todas” colocado na prática.

Se você frequenta festas de carnaval, certamente já se deparou com situações em que uma mulher estava passando por maus bocados – ou até mesmo correndo perigo. Às vezes a gente precisa meter a colher, sim, e é isso que mostra uma série de relatos publicados no site d’AzMina, no lançamento da campanha.

“Estávamos em um bloco em São Paulo e, no meio da folia, eu encontro uma conhecida do meu bairro discutindo com o namorado, uma briga feia. Ele ameaçava bater nela e, quando levantou a mão, eu entrei na frente dela. Quase apanhei, mas o empurrei de volta. Meus amigos seguraram ele e fiquei com a menina o dia todo. Ela chorava muito. O motivo da briga? Um cara deu em cima dela e ela não correspondeu, mas não do jeito que ele achava ideal, então foi brigar e querer bater nela. Vê se pode!” – Catarina Alves, 20 anos

Quantas de nós já não presenciou uma cena como essa? E, assim como a Catarina, todas nós podemos botar a sororidade em prática, né? A ideia não é colocar-se em uma situação de risco, mas fazer o possível para que outras mulheres não tenham que terminar a folia por causa do machismo que é tão presente nas ruas.

No mundo ideal, campanhas como essa não seriam necessárias, mas, infelizmente, ainda estamos longe de viver uma realidade assim. E é por isso que hoje a sororidade ainda é a melhor saída.

Chega de fechar os olhos só porque a mulher ao lado é uma desconhecida. Chega de achar que ela bebeu porque quis ou que deveria saber que bloco de carnaval não é lugar para mini-saia. Que tal nos unirmos pelo bem de todas?

Por Julia Warken

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