Novela pauta mídia sobre violência contra a mulher

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pautaids_top (Agência Patrícia Galvão) Ao dar ênfase a um personagem que agride a mulher, a novela Fina Estampa, da Rede Globo, não apenas aborda o problema da violência doméstica, mas vem pautando a mídia sobre esse assunto. No capítulo de ontem, Baltazar (Alexandre Nero) foi preso ao ser pego em flagrante espancando a mulher, Celeste (Dira Paes).

Celeste, Zizi e Lavínia: veja mulheres das novelas que foram humilhadas (Terra – 25/10/2011)
Celeste toma coragem e assina queixa por agressão contra Baltazar (Globo.com – 26/10/2011)
Uma mulher apanha a cada sete minutos (O Estado de S. Paulo – 26/10/2011)
Maridos são principais agressores em casos de violência contra a mulher (Jornal Hoje – 25/10/2011)
16/10/2011 – Violência contra as mulheres é assunto do Domingão do Faustão
13/09/2011 – Cenas de violência contra mulher em novelas aumentam denúncias de agressões, diz delegada
16/08/2011 – Mulheres que apanham na TV falam sobre violência doméstica

Para a socióloga Wânia Pasinato, do Núcleo de Estudos da Violência da USP, e a psicóloga Roseli Goffman, do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, a mídia está mostrando que a sociedade não aceita mais esse tipo de agressão e passa a identificá-la como crime.

Ao se verem na TV, as vítimas deixam de se sentir um caso isolado

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Wânia Pasinato
– socióloga e pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência da USP
(11) 3091.4951 / 9263.8365 – [email protected]

“Quando o tema é abordado na novela faz com que as vítimas deixem de se sentir um caso isolado e procurem alternativas para sair da situação de violência. Em geral, essa atitude repercute diretamente no aumento de ocorrências nas delegacias.

Mas é fundamental que a novela avance no debate, para que não haja o falso entendimento de que violência doméstica é só caso de prisão. A mulher tem de denunciar estando ciente de que seu caso não é só de polícia. Ela tem direitos, como apoio psicológico e orientação jurídica. A Lei Maria da Penha prevê, inclusive, centros de atendimento ao agressor, serviço que infelizmente ainda não está sendo implantado como previsto na Lei.”


A novela atinge mulheres que ainda desconhecem seus direitos

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Roseli Goffman
– psicóloga do Conselho Federal de Psicologia e coordenadora de mobilização e organização do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação
(61) 2109.0146 – [email protected]

“A influência das novelas na produção de subjetividade, se são assistidas por crianças e adolescentes, precisa ser continuamente debatida. Depois de exibir a passividade da mulher agredida durante todos os capítulos, a novela Fina Estampa tem a responsabilidade social de exibir ao telespectador essa mulher no alcance dos seus direitos, em seu processo de abandono da passividade para poder recorrer aos recursos que a sociedade lhe oferece e sair da situação de violência.

A televisão é uma rede social que influencia e modela comportamentos e a novela pode produzir uma identificação, não com a mulher que sofre passivamente, mas com aquela que reage à violência ao ser contemplada por seus direitos. Além disso, a audiência das novelas chega a 40% dos brasileiros e, portanto, atinge mulheres que ainda desconhecem seus direitos. Os autores precisam ser assessorados pelos grupos que tornam legítimos os direitos humanos no país para poder transmiti-los.”

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