Apenas 3% das bonecas à venda em lojas virtuais no Brasil são negras, aponta estudo

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A questão da representatividade negra na mídia tem sido debatida no Brasil e do mundo. Se o ativismo digital tem feito grandes marcas de cosmético e beleza repensarem seu posicionamento em prol da celebração à diversidade estética, o mesmo não ocorre no mercado de brinquedos.

(HuffPost Brasil, 29/09/2016 – acesse no site de origem)

Às vesperas do Dia das Crianças, a ONG Avante, de Salvador, que promove a campanha Cadê nossa boneca?, divulgou um levantamento sobre a oferta de bonecas de pele escura disposíveis para compra no Brasil. Entre abril e julho, a entidade fez um levantamento nos sites das maiores frabricantes de brinquedos do Brasil.

De um total de 1.945 modelos de bonecas encontradas, apenas 131 são negras.

Leia mais: Nada de Barbie: empresa faz bonecas de pano negras, cegas e cadeirantes (HuffPost Brasil, 30/09/2016)

De acordo com Ana Marcilio, coordenadora da campanha e de projetos da Avante, o estudo foi feito em duas etapas.

A partir de uma relação feita pela Fundação Abrinq, foram inicialmente consultadas as 31 principais empresas fabricantes do setor. Dessas, apenas 16 possuem bonecas negras no seu portfólio, e dos que fabricam bonecas negras, a proporção em relação a bonecas brancas é bem reduzida.

O fabricante com maior número de bonecas negras foi o Milk, que apresenta em seu site 72 modelos, entre 475 que fabrica. Já os que registram maiores porcentagens foram Miele, com 25% dos modelos em bonecas negras, seguido por Sideral, com 23%, e Milk, com 15%.

A segunda etapa do estudo consistiu em levantar, dentre os principais revendedores online de brinquedos, a quantidade de bonecas negras disponíveis para compra. Foram analisados três sites de e-commerce: Americanas.com, Walmart.com e Ri Happy; e a proporção foi ainda menor.

Em média, não mais que 3% das bonecas disponíveis para compra são de pele escura.

A pior situação foi identificada no site das Americanas.com, em que do total de 3.030 bonecas à venda apenas 18 eram negras, representando apenas 0,6%. No site da Ri Happy, das 632 bonecas comercializadas online, apenas 17 modelos eram de negras, enquanto no e-commerce do Walmart a proporção era de apenas 20 entre 835 do total.

“Moramos em um país em que, segundo dados do IBGE, negros e pardos representam 53,6% da população brasileira. Ainda assim, nota-se a grande prevalência de bonecas brancas nos portfólios dos fabricantes. Em média, a proporção das mesmas em relação às bonecas negras é de 95%”, analisa Ana.

pesquisa

Cadê nossa boneca?

Lançada em abril deste ano com o objetivo de promover reflexão sobre padrões estéticos e representatividade negra na infância, a campanha Cadê nossa boneca? tem atualmente cerca de 400 mil pessoas em sua página no Facebook. A ideia do projeto é sensibilizar a sociedade, a indústria e o varejo para a necessidade de diversificação de produtos.

A coordenadora da campanha, Mylene Alves, conta que em breve o projeto lançará um mapa colaborativo, em que pais, mães e responsáveis poderão oferecer e ter acesso a informações sobre as lojas físicas de brinquedos e seus produtos.

“Mudanças sutis como esta são um grande passo na construção de uma sociedade que respeita e aceita suas diferenças raciais, contribuindo assim para que haja diminuição do preconceito, além de elevar a autoestima das crianças, que passarão a ver a si mesmas representadas nos brinquedos”, afirma Mylene.

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