‘Estamos nos anos 1940 na questão racial’, diz Taís Araújo

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(Folha de S. Paulo, 13/10/2015) Depois de dois anos tentando viabilizar a peça “O Topo da Montanha”, os atores Taís Araújo e Lázaro Ramos estrearam o espetáculo no Teatro Faap, na sexta (9). A montagem é sobre o último dia de Martin Luther King, líder do movimento pelos direitos civis dos negros nos EUA. O casal também está na série “Mr. Brau”, da Globo, cujo tratamento da questão do racismo rendeu reportagem no jornal inglês “The Guardian” comparando os dois aos músicos americanos Beyoncé e Jay-Z.

Folha – Viu a reportagem do “The Guardian”?
Taís Araújo – Fiquei surpresa. Na verdade, aqui no Brasil saíram falando da comparação com Beyoncé e Jay-Z, mas não é só isso, né? Ela fala de como o Brasil é atrasado nessa questão racial. É uma crítica à sociedade brasileira. Uma série assim já deveria ter existido há muito tempo.

Não gostou da comparação?
Gostei. Eu acho ótimo! Só gostaria de ter aquela conta bancária. [risos]

O Brasil está tocando agora nessa ferida do racismo?
Acho que sim, acho que a gente descobriu também como tratar de uma maneira que atinge as pessoas. Mas tenho amigos americanos que dizem que estamos na década de 1940 na questão racial.

Como compara a peça e “Mr. Brau” no tratamento do tema?
As duas usam do humor para falar de um assunto que é muito sério. Não há maneira mais fácil de atingir e fazer com que a pessoa reflita do que com o humor.

Nem todo humor é crítico.
É, o humor racista, o humor contra gordo, contra religião, pra mim não é humor, não tem graça. Algo em que um está chorando e o outro está rindo é fácil de fazer. Quero ver fazer um humor em que todo mundo ria. Isso é humor inteligente. Você fazer piada em cima dos outros não é humor, é bullying.

Você está acostumada a ver negros na plateia do teatro?
Olha, infelizmente não. Não tanto quanto na estreia de hoje. Eu gostaria que tivesse mais. Ao mesmo tempo que eu gostaria que tivesse mais negros estudando aqui [na Faap], na PUC, nas escolas particulares. Não tem, e você sabe por que, né?

Mônica Bergamo

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