Lúcia Xavier: referência para mulheres negras à frente da ONG Criola

116
0
Compartilhar:
image_pdfPDF

Após ação com jovens pobres deixá-la íntima de cemitérios, Lúcia Xavier virou referência para mulheres negras

(UOL – ECOA | 10/11/2021 / Por Guilherme Henrique)

Desde os 14 anos na lida, Lúcia Xavier, 62, pode olhar para trás e ver nitidamente três encarnações como militante pelos direitos humanos.

Primeiro, junto a jovens em situação de vulnerabilidade, que eram marginalizados pelo Estado na cidade do Rio de Janeiro. Depois, para atender meninas e mulheres esquecidas pelas políticas públicas. Na terceira e atual fase, ela coordena a ONG Criola se tornou uma das ativistas do movimento de mulheres negras mais atuantes do Brasil.

Isso não quer dizer que não haja espaço para mulheres com outras características. “Tem mulheres negras que se autodenominam apenas como mulheres negras. Outras como feministas interseccionais. Nós queremos receber todo mundo, porque isso aprofunda a capacidade de compreender e relacionar com aquela pessoa em relação ao mundo”, comenta.

Se eu não souber absorver a diferença, não sei como viver em sociedade.

Durante boa parte da infância, Lúcia viveu com as tias e a avó paterna em Rocha Miranda e Parada de Lucas, bairros da zona norte do Rio, onde estava ambientada. Aos 12 anos, ela e as duas irmãs foram morar com a mãe em um cômodo simples na Tijuca, também na zona norte. “O cenário foi completamente alterado.”

No Colégio Estadual Antônio Prado Junior, “dava para contar nos dedos” o número de alunos negros. Para suportar a rotina de brincadeiras e ofensas que miravam sua raça e classe social, a adolescente criou um grupo de discussão política com alguns colegas.

O grupo de 5 ou 6 alunos era municiado com jornais que um deles trazia dos bicos que fazia como ferroviário. “Lembro de uma reportagem do [jornalista] Tim Lopes sobre os trabalhadores do metrô no jornal ‘Movimento’, diz. Não durou muito. A diretora descobriu e proibiu as reuniões.

 

Compartilhar: