Risco de ser estuprada triplica com embriaguez

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(Folha de S.Paulo, 16/05/2014) Mulheres que abusam do álcool têm 3,6 vezes mais chances de serem vítimas de estupro, revela um novo recorte do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas.

Quando as mulheres já têm um diagnóstico de dependência de álcool, as chances de sofrerem violência sexual sobem para cinco vezes.

Os dados, obtidos com exclusividade pela Folha, serão divulgados nesta sexta (16) em São Paulo em semi- nário internacional sobre álcool e violência.

A pesquisa da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) ouviu 4.607 pessoas acima de 14 anos em 149 cidades e é representativa da população brasileira. A margem de erro é de cinco pontos percentuais.

Segundo a psicóloga e pesquisadora Clarice Sandi Madruga, que apresentará os dados, a associação entre álcool e estupro independe de idade, classe social e educação.

“Ao usar álcool abusivamente elas não evitam ou não previnem situações de risco”, afirma Clarice.

O uso abusivo é chamado de “binge”. Significa ingerir grande quantidade de álcool (quatro unidades para mulheres e cinco unidades para homens) em pouco tempo (duas horas). Uma unidade de álcool equivale a uma lata de cerveja ou uma taça de vinho.

O levantamento revelou também que, sob o efeito do álcool, 89% das mulheres não evitam situações de risco. A psicóloga reforça, no entanto, que nenhuma situação justifica a violência sexual.

“Mas a mulher pode prevenir vários tipos de violência, inclusive o estupro, evitando a intoxicação por álcool”, diz.

Várias campanhas antiestupro tentam desvincular as alegações de que o estado alcoólico possa ser um incentivo ao abuso sexual.

Estudos mostram que as mulheres violentadas sentem-se culpadas nessas situações e muitas vezes não denunciam o agressor. Fazer sexo com uma pessoa alcoolizada é considerado crime de estupro de vulnerável, independentemente de consentimento.

SAÚDE PÚBLICA

A questão é que, do ponto de vista de saúde pública, essa associação é preocupante especialmente pelo fato de que as mulheres estão bebendo com mais frequência.

Em 2013, outro recorte do levantamento mostrou que, em seis anos, a taxa das bebedoras habituais passou de 29% (2006) para 39% (2012).

Segundo Ronaldo Laranjeira, professor titular de psiquiatria da Unifesp e coordenador do levantamento, o aumento do consumo de álcool por mulheres reflete a maior frequência do ato de beber socialmente, e não em casa.

“Mulheres que socializam como homens estão bebendo tanto quanto eles.”

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