TJMS homenageia os vencedores do 1º Prêmio de Jornalismo ComunicAÇÃO pela Igualdade de Gênero

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Uma solenidade diferente. Prestigiada por quem tem o poder de mudar opiniões, quem leva a informação para milhares de pessoas, nos mais longínquos locais de todo o país. Assim foi a cerimônia de entrega da premiação do 1º Prêmio de Jornalismo do Tribunal de Justiça de MS que teve a ComunicAÇÃO pela Igualdade de Gênero.

(TJMS, 30/11/2018 – acesse no site de origem)

Uma ação proposta pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, em parceria com a Secretaria de Comunicação, o certame premiou profissionais que se destacaram ao cumprirem o papel de informar com qualidade, em um jornalismo sério e de grande relevância para o combate a todo tipo de violência.

Com mais de 90 trabalhos inscritos, foram premiados 12 profissionais em seis categorias diferente e os prêmios foram assim distribuídos:
– FOTOJORNALISMO: Francisco Carlos Moreira e Marco Aurélio Miatelo Prado
– IMPRESSO: Fernanda Letícia Silvino Palheta e Valéria Araújo
– JORNALISMO ON LINE: Valdelice Bonifácio e Maria Cristina de Avelar Nunes
– RADIOJORNALISMO: Natalia Moraes dos Santos e Lucas Mamédio do Nascimento Neto
– TELEJORNALISMO: Maureen Matiello e Cláudia Malini Gaigher Bucker
– UNIVERSITÁRIO: João Victor Ramos Estadulho e Jhayne Geovana Santos Lima.

Juíza Jacqueline Machado, titular da Coordenadoria da Mulher do TJMS, abre a cerimônia de entrega do Prêmio (Foto: Secretaria de Comunicação)

A juíza Jacqueline Machado, que responde pela Coordenadoria da Mulher do TJMS, lembrou que a entrega dos prêmios foi realizada no encerramento da 12ª edição da Semana pela Paz em Casa, a fim de exortar a produção do conteúdo do jornalismo que contribui para a prevenção, o combate, eliminação das formas de manifestação de violências contra as mulheres.

Ela agradeceu o apoio do Des. Divoncir Schreiner Maran, presidente do TJMS, em todos os projetos desenvolvidos pela Coordenadoria e afirmou que o prêmio foi criado para reconhecer a importância dos meios de comunicação, dos profissionais no processo de construção da cultura de igualdade entre homens e mulheres, preconizada na Constituição Federal.

“Promovemos esse evento hoje pensando sim em uma mudança de cultura porque a violência contra a mulher é um fenômeno histórico, cultural, alicerçado na desigualdade de gênero, no machismo, no patriarcado, e é uma violência que resulta na morte de uma mulher a cada duas horas, um estupro a cada 11 minutos, cinco espancamentos a cada dois minutos. Não é mais possível convivemos com esse nível de violência contra as mulheres”, garantiu.

Marisa Sanematsu falou em nome da comissão que avaliou os trabalhos inscritos. Jornalista há 35 anos, ela é a fundadora do Instituto Patrícia Galvão, uma organização que monitora a cobertura jornalística, há mais de 15 anos, de notícias publicadas com o tema violência contra as mulheres e igualdade de gênero.

Ela agradeceu o convite para participar da comissão, que teve a difícil tarefa de selecionar os vencedores entre tantos materiais de qualidade. Marisa cumprimentou a iniciativa do TJMS de valorizar o jornalismo que cumpre seu papel social, ao contribuir para a promoção da igualdade de gênero e eliminação de todas as formas de violência contra as mulheres.

“O Ibope divulgou nesta quarta uma pesquisa mostrando que 66% da população brasileira considera que os portais noticiosos, a imprensa, ainda são as fontes mais confiáveis de informação. Esse dado torna maior a responsabilidade do jornalismo, em tempos de fake news, distorções e mentiras que são veiculadas pelos meios de comunicação, pelas redes sociais”, disse.

Ela citou que a imprensa é chamada de quarto poder e ressaltou que esse poder deve ser utilizado com ética e responsabilidade. “A cobertura da vida das mulheres sem violência e igualdade avançou muito, mas a maioria dessa cobertura hoje ainda é preconceituosa, reforçadoras das violências e culpa as mulheres pela violência sofrida. Ao mesmo tempo, está-se abrindo espaço para as vozes e demandas das mulheres. A imprensa sul-mato-grossense tem muitos exemplos para mostrar e essa iniciativa é prova disso. Vamos premiar e aplaudir 12 exemplos excelentes da qualidade do jornalismo no MS e esses trabalhos são exemplo do que a imprensa pode fazer para contribuir para o enfrentamento à violação dos direitos das mulheres e promoção da igualdade”.

A jornalista Sissy Hiraga Cambuim, assessora de comunicação da OAB/MT, entrega o prêmio a Valéria Araújo, segunda colocada na categoria Jornalismo Impresso (Foto: Secretaria de Comunicação)

A jornalista Valéria Araújo, segunda colocada na categoria Jornalismo Impresso, integra a equipe do jornal O Progresso de Dourados e confessou que o prêmio é resultado do trabalho e das informações dadas pelas fontes. Ela citou o juiz Alessandro Leite Pereira, da 4ª Vara Criminal de Dourados, de quem recebeu informações importantes que enriqueceram a texto e, com certeza, ajudaram muitas mulheres a esclarecer dúvidas sobre violência.

“Eu não fiz essa matéria sozinha, contei com boas fontes. E a matéria só alcançou o sucesso que teve graças às informações que obtive no Fórum. O prêmio é do jornal O Progresso, mas é o Tribunal de Justiça que está de parabéns, porque tudo o que fiz foi divulgar as ações do TJMS e a matéria teve esse objetivo: de mostrar o TJ como apoio às mulheres vítimas de violência. Sinto-me honrada e muito feliz com a premiação e confesso que me apaixonei pelas ações do Tribunal de Justiça. Com certeza, esse prêmio nos incentiva a escrever mais sobre o tema”, afirmou a ganhadora.

Maureen Matiello, a primeira colocada na categoria Telejornalismo, estava muito feliz e contou que ao saber da premiação se deu conta da importância do certame, pois seu nome passará a integrar a história do Poder Judiciário de MS como vencedora do 1º Prêmio de Jornalismo do TJMS e isso é um incentivo na carreira.

Porém, para ela o mais importante foi o tema. “Muito difícil, nos dias atuais, discutir a violência que atinge as mulheres. Achei sensacional o primeiro prêmio do TJMS ter trazido esse tema. A primeira coisa que se pensa nesses casos é a punição, mas como evitar? e esse foi o gancho da matéria. Partimos de um programa da Coordenadoria da Mulher para trabalhar a prevenção. Como o agressor vai deixar de agredir só estando preso? E quando sair? A justiça tem o papel também de trabalhar a reinserção social. Abordamos o projeto de vocês de trabalhar a mudança comportamental, cultural, de mostrar para esses homens que isso não está certo”.

Veja também: TV Morena é premiada no 1° Prêmio de Jornalismo do TJMS (Globo.com – 01/12/2018)

Compuseram a comissão avaliadora o Diretor da Secretaria de Comunicação do TJMS, Carlos Alberto Kuntzel; o juiz Jessé Cruciol Jr, colaborador da Coordenadoria Estadual da Mulher do TJMS; Sissy Hiraga Cambuim, jornalista e assessora de Comunicação da OAB/MT; Marisa Yoshie Sanematsu, jornalista e editora da Agência Patrícia Galvão e do portal Compromisso e Atitude pela Lei Maria da Penha.

Os prêmios foram entregues pelos integrantes da comissão, pela juíza Jacqueline Machado e pelo Des. Ruy Celso Barbosa Florence, o primeiro a responder pela Coordenadoria da Mulher quando esta foi criada. Os juízes Alessandro Leite Pereira e Waldir Marques prestigiaram a cerimônia.

Exposição – A solenidade de entrega de prêmios foi realizada no plenário do Tribunal Pleno, no Palácio da Justiça, e no saguão os convidados e ganhadores puderam apreciar uma exposição de fotografias do projeto Lugar de Mulher.

A proposta foi desenvolvida durante todo o ano com 23 alunos (20 meninas e três meninos), de 15 a 17, na Escola Estadual Lino Villachá, no bairro Nova Lima, para estimular estudantes na área de exatas.

O público presente à entrega do Prêmio teve oportunidade de ver a exposição de fotografias do projeto Lugar de Mulher (Foto: Secretaria de Comunicação)

A ideia dos professores Guilherme Toyhara e Francielle Cristina dos Santos Pereira, ele de química e ela de matemática, foi estimular nas meninas um olhar diferenciado para o outro e para si mesmo, já que as referências femininas em locais de periferia são poucas.

“Essas meninas não se enxergavam onde poderiam estar nem que são bonitas como são. Então, antes das aulas de fotografia, aprendiam suas propriedades, ângulos, por exemplo, nas aulas de física, química, biologia e matemática. Começamos em maio e os avanços já podem ser notados, pois elas se sentem mais confortáveis para compartilhar suas questões no grupo e apreciam se fotografar em suas formas autênticas”, explicou o professor.

Guilherme aponta que o projeto surgiu depois que os professores perceberam que, apesar de as meninas serem ótimas alunas nas disciplinas citadas, poucas mostravam interesse em seguir carreira na área de exatas e a desmotivação parecia cultural.

“A fotografia foi a melhor forma que encontramos para mostrar que lugar de mulher é onde ela quiser estar. Nosso projeto foi escolhido em âmbito nacional pelo edital Elas nas Exatas, promovido pelo Instituto Unibanco, Fundação Carlos Chagas, ONU Mulher, entre outros antes mesmo de ser executado. Estamos muitos felizes com os resultados e o Tribunal de Justiça é o primeiro a receber nossa exposição”, concluiu.

Autor da notícia: Secretaria de Comunicação – [email protected]
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