Candidatas cobram proteção frente às violências e ameaças que se espalham pelo Brasil

15 de setembro, 2026 Agência Pública Por Wanessa Celina e Ludmila Pizarro

Vítimas de violência política de gênero denunciam a falta de investimento em estrutura de segurança para mulheres

Os órgãos que deveriam amparar as candidatas vítimas de violência política de gênero como a Justiça Eleitoral e a Polícia Federal não estão preparados para enfrentar o problema, denuncia a deputada estadual Bella Gonçalves (PT-MG), que disputa uma vaga a deputada federal nestas eleições. Ela é uma das mulheres candidatas que alertou ter recebido ameaças de morte e estupro nos primeiros dias de setembro.

Minas Gerais é o segundo Estado que mais mata mulheres do Brasil [em números absolutos]. A violência política acompanha a violência de gênero, por isso que eu acho que, em Minas Gerais, é tão comum a violência política contra as mulheres”, diz Bella Gonçalves.

Ela não foi a única. Na noite do último sábado, 12 de setembro, a suplente ao Senado e advogada, Fernanda Klitzke (PT) foi agredida, chutada e alvejada por balas de borracha por policiais militares em Jaraguá do Sul, Santa Catarina. As agressões ocorreram após uma denúncia de som alto.

Também no sábado, em Minas Gerais, a deputada estadual pelo PT, Andréia de Jesus, candidata à reeleição, também divulgou em suas redes sociais o recebimento de ameaças. Segundo uma matéria do site Alma Preta, Jesus foi ameaçada de morte, com conteúdo racista e de violência física, via uma mensagem eletrônica.

A candidata pelo PT, a deputada federal por Minas Gerais, Ana Elisa Santos Silva, também fez um Boletim de Ocorrência após receber mensagens com conteúdo de ódio racista e ameaças de morte e violência sexual em setembro. “A violência no Brasil [contra as mulheres] nunca parou; na verdade, ela está em crescimento”, afirma.

No dia 4 de setembro, a deputada federal Duda Salabert (PSOL-MG), candidata à reeleição, usou suas redes sociais para denunciar agressões sofridas quando fiscalizava uma mineração ilegal na divisa de Belo Horizonte com o município de Nova Lima, que foram seguidas por uma tentativa de homicídio.

Para Silva, que está concorrendo pela primeira vez em uma eleição, a sensação de insegurança continua. “Eu fui ameaçada de morte, não tenho segurança, não tenho medida protetiva, não tenho absolutamente nada e não tenho dinheiro”, relata. Mesmo denunciando aos órgãos competentes e levando ao Tribunal Regional Eleitoral de Minas (TRE-MG), Ana Elisa ainda se sente insegura.

Gonçalves também chama a atenção para o fato que as candidatas que estão entrando na política “seguem muito desprotegidas para enfrentar a violência política de gênero”. Mesmo contando com a presença de uma policial militar por ser deputada estadual, Bella Gonçalves critica a falta de regulamentação das leis que protegem as mulheres que atuam na política institucional, tanto no âmbito dos tribunais eleitorais, já que se trata de crime eleitoral, como na legislação de enfrentamento à violência política de gênero, aprovada em Minas Gerais.

Ironizando uma fala do ex-governador de Minas e candidato à Presidência pelo Novo, Romeu Zema, em entrevista à TV Globo, Bella Gonçalves diz que Minas tem, de fato, políticas contra mulheres. “A não-regulamentação e o não-funcionamento do Conselho de Proteção à Mulher do Estado, o não-investimento na rede de proteção, entre tantas outras ações que vão resultar na ponta em morte de mulheres”, exemplifica.

Entre as medidas tomadas após o recebimento das ameaças, a deputada estadual formalizou um pedido de providências na Gerência-Geral de Polícia Legislativa (GPOL) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e na Justiça Eleitoral. Além disso, afirma estar cobrando investigação das forças de inteligência da polícia e a segurança dela e de seus familiares. Gonçalves ainda pretende entregar uma carta ao Partido dos Trabalhadores solicitando a utilização do fundo partidário para combate à violência política de gênero e garantia da segurança das candidatas.

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