Caso Arthur do Val: levantamento mostra que episódios de machismo na política ficam impunes

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(O Globo| 12/03/2022 | Por Bianca Gomes)

Caso a cassação do deputado estadual Arthur do Val (sem partido) na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) se concretize, será exceção à regra. Apesar de inúmeros episódios em casas legislativas de todo o país, o machismo raramente leva a alguma punição — e muito menos à perda do mandato.

Criado há 21 anos, o Conselho de Ética e Decoro da Câmara dos Deputados nunca puniu um caso sequer de violência contra parlamentares mulheres, mostra levantamento feito pela pesquisadora Tássia Rabelo, doutora em ciência política e professora da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Nas últimas duas décadas, o colegiado analisou nove casos. Todos foram arquivados.

Episódios não faltaram. Em 2014, ainda quando era deputado, o atual presidente Jair Bolsonaro disse que Maria do Rosário (PT-RS) “não merece ser estuprada porque é muito feia”. A legislatura acabou, e o mérito do caso não foi julgado. Condenado a pagar indenização, Bolsonaro emitiu um pedido de desculpas.
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