Carol Dartora, do PT, aciona Polícia Federal e PGR após e-mail com plano detalhado de violência; autor usou serviço criptografado e atacou mandato, população LGBTQIA+ e direitos humanos
A deputada federal Carol Dartora (PT-PR) recebeu na madrugada do último domingo (15) um e-mail com ameaças de morte, estupro e tortura em seu endereço institucional da Câmara dos Deputados.
A mensagem, com teor racista, misógino, LGBTfóbico e abusivo, partiu de um endereço de e-mail com o remetente identificado como Lucas Bovolini Martins, de acordo com a publicação do Partido dos Trabalhadores (PT).
O ataque começou já no assunto do e-mail, com a frase “Você vai pagar, sua negra vagabunda”. No corpo da mensagem, o autor detalhou um plano de violência sexual, tortura e homicídio contra a parlamentar, com narrativa explícita de estupro e objetificação sexual racializada.
O texto reduziu o corpo negro feminino a instrumento sexual para homens brancos, com afirmações de inferioridade baseadas simultaneamente em raça e gênero.
O agressor anunciou que compraria “uma passagem só de ida para a sua cidade” para matar a deputada, não sem antes fazê-la “sentir cada segundo de agonia”.
A mensagem também continha ataques à atuação do mandato, classificando a defesa de direitos da população LGBTQIA+ como “direitos ridículos de minorias”. O autor afirmou que “os viados e travestis não são normais”, que são “uma abominação” e que “deviam ser queimados vivos”.
“A carta tem um plano detalhado de violência sexual, tortura e homicídio, motivado pela minha atuação parlamentar na defesa de direitos humanos, minha condição de mulher negra e minha posição política”, declarou a deputada.
Dartora atribui as ameaças a dois projetos de lei protocolados na sexta-feira (13), os PLs 1144/2026 e 1145/2026, voltados ao combate à misoginia digital. As propostas preveem endurecimento de penas contra ataques coordenados a mulheres na internet, responsabilização de plataformas e punições mais severas para crimes misóginos praticados por grupos organizados, incluindo os ligados à chamada cultura “red pill”
Com auxílio de sua assessoria jurídica, a deputada comunicou oficialmente a agressão à Polícia Federal, à Procuradoria-Geral da República, ao Departamento de Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados, ao Ministério da Justiça, à Liderança do PT na Câmara, à Presidência da Câmara e à Liderança da Bancada de Mulheres.
Foram solicitadas a instauração de inquérito policial, medidas protetivas, perícia digital e denúncia criminal. Os crimes configurados incluem ciberterrorismo, injúria racial, injúria de gênero, ameaça qualificada, ameaça de estupro e violência política de gênero.