Pesquisa aponta barreira da direita à representação das mulheres

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

13 de julho, 2026 Vermelho Por Natália Padalko

Estudo aponta que apenas 35% dos parlamentares homens da direita apoiam políticas de paridade, o menor índice da série histórica

A principal resistência ao avanço da representação feminina no Congresso está entre os parlamentares homens da direita. A 10ª edição da Pesquisa Legislativa Brasileira (PLB) mostra que esse é o grupo que menos apoia medidas para ampliar a participação das mulheres na política.

Embora as mulheres representem 51,5% da população brasileira, elas ocupam apenas 17% das cadeiras do Legislativo federal. A sub-representação revela que os obstáculos à participação feminina permanecem mesmo após décadas de políticas voltadas à ampliação da presença das mulheres na política. E eles começam antes da eleição e se estendem ao exercício dos mandatos.

Em junho, um levantamento publicado pelo Instituto “E Se Fosse Você?” mostrou que mais de 70% dos agentes envolvidos em processos de cassação ou tentativas de perda de mandato de parlamentares eleitas estavam vinculados a partidos do campo conservador. Agora, a Pesquisa Legislativa Brasileira lança luz sobre outra face do mesmo problema: a resistência de parlamentares homens da direita às políticas destinadas a ampliar a representação feminina.

Direita masculina concentra maior resistência

Os dados da pesquisa revelam diferenças expressivas entre os grupos ideológicos. Entre as mulheres de esquerda, o apoio às políticas de paridade chega a 100%. Entre os homens de esquerda, o índice é de 89%, enquanto entre as mulheres de direita alcança 63%. Já entre os homens de direita, apenas 39% afirmam apoiar medidas voltadas à ampliação da representação feminina, o menor percentual entre todos os segmentos analisados.

Mais do que registrar o menor apoio às políticas de paridade, a pesquisa aponta um endurecimento da posição entre os parlamentares homens da direita. Na edição de 2025, apenas 35% defenderam medidas para ampliar a representação feminina, contra 40% em 2017 e 41% em 2021. Enquanto isso, entre os homens de esquerda e de centro, o apoio avançou ao longo da série histórica.

Em conjunto, os levantamentos apontam que as barreiras à participação política das mulheres vão além da disputa eleitoral. Elas se manifestam tanto na resistência a políticas de ampliação da representação quanto nas dificuldades enfrentadas por mulheres eleitas para exercer seus mandatos. Os dados sugerem que, além de ampliar o número de candidaturas, o avanço da participação das mulheres dependerá do enfrentamento às barreiras políticas e institucionais que ainda limitam sua presença nos espaços de decisão.

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