Por que violência sexual ainda é crime sem devido castigo no país, por Eliane Trindade

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(Folha de São Paulo | 18/05/2021 | Por Eliane Trindade)

Faz 21 anos hoje que o 18 de maio se tornou Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

Chega assim à maioridade um marco da luta contra a impunidade a partir de um caso emblemático como o de Araceli Cabrera Crespo, garota capixaba de oito anos violentada e morta em 18 de maio de 1973. Os três acusados, membros de influentes famílias do Espírito Santo, foram inocentados em segunda instância.

Passados 48 anos do crime que chocou o país, vem a público o caso Samuel Klein, a partir de reportagens da Agência Pública e da Folha, nas quais dezenas de mulheres relatam ter sido molestadas sexualmente na infância pelo fundador das Casas Bahia.

O rei de varejo morreu em 2014, aos 91 anos, sem prestar contas à Justiça, reacendendo o debate em torno da impunidade de crimes dessa natureza no país.

Inquéritos arquivados sem indicar os responsável se somam a um sistema judiciário e a uma sociedade que, em muitos casos, ainda culpabilizam as vítimas, como ficou evidente com a divulgação de vídeo de uma audiência no curso do processo de estupro movido pela influenciadora digital Mariana Ferrer.

Ela é desacreditada e humilhada ao repetir que foi violentada pelo empresário André de Camargo Aranha, filho de uma família tradicional de Santa Catarina. O episódio ocorreu numa festa em um famoso clube de praia em Florianópolis.

Eliane Trindade

Editora do prêmio Empreendedor Social, editou a Revista da Folha. É autora de “As Meninas da Esquina”.

Acesse a matéria completa no site de origem.

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