Traficantes de pessoas mudam tática e atraem mulheres para dívidas impagáveis

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Com promessa de muito dinheiro, vítimas entregam documentos e são forçadas a se prostituir

( Folha de S. Paulo | 18/10/2021 / Por Patrícia Campos Mello e Mathilde Missioneiro)

BOA VISTA

​A venezuelana Mauge, 27, chegou a Boa Vista sem nenhum tostão, ficou uns tempos na casa de um amigo do irmão e acabou obrigada a morar na rua, perto da rodoviária.

Desesperada, foi trabalhar como prostituta no bairro do Caimbé. Num bar, conheceu Fátima, uma cafetina de garimpo. Com a perspectiva de ganhar bem, Mauge e uma amiga toparam ir com a cafetina para um garimpo perto de Paramaribo, no Suriname.

O acesso era muito difícil, levou dias para chegarem lá, por terra e voadeira. “A Fátima nos apresentava aos garimpeiros como suas ‘secretárias’, e os homens já sabiam o que significava esse código. Logo que chegamos, entendemos que estávamos com ela como uma espécie de ‘presente’ para os garimpeiros que negociavam peças e outras mercadorias com ela.”

No segundo dia no garimpo, no final da tarde, chegaram 15 homens. Depois de negociar com Fátima, eles entraram no quarto onde estavam Mauge e a amiga. “Tivemos que servir os 15 homens de uma só vez. Foi uma das piores noites da minha vida. No dia seguinte eu não conseguia nem me levantar. Meu corpo inteiro doía. Minha amiga teve febre, de tão machucada que ficou. Depois disso, todas as outras noites foram iguais.”

Fátima chamava de sexo grupal. “Mas aquilo era estupro coletivo, porque era eu sozinha para dar conta de mais de 20 homens numa noite.” Tudo o que ganhava dos garimpeiros, inclusive alguns gramas de ouro, Mauge tinha que repassar a Fátima, que havia prometido fazer a divisão quando voltassem para Boa Vista. “No final, ela pagou menos de R$ 1.500 para cada uma. Não deu nem para pagar as medicações que precisamos para cuidar das infecções que pegamos na viagem.”

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