Brasileiras estão entre as mulheres que mais sofrem os impactos negativos da menopausa, mostra estudo global

31 de março, 2025 O Globo Por Redação

8 a cada 10 mulheres brasileiras vivenciaram sentimentos psicológicos negativos devido à menopausa, incluindo ansiedade, depressão, constrangimento e vergonha

As brasileiras estão entre as mulheres que mais sofrem os impactos negativos da menopausa. De acordo com a pesquisa Experiência e Atitudes na Menopausa, realizada pela farmacêutica Astellas em seis países, 8 a cada 10 mulheres brasileiras vivenciaram sentimentos psicológicos negativos devido à menopausa, incluindo ansiedade (58%), depressão (26%), constrangimento (20%) e vergonha (16%). Em comparação com os números globais, as brasileiras parecem sofrer mais com estes sintomas.

A menopausa é o marco do final da vida reprodutiva, determinada após 12 meses de ausência de menstruação. Entre as brasileiras, a média de idade para seu início é aos 48 anos e ela acontece em duas fases: a perimenopausa, quando os sintomas começam a aparecer, e a pós-menopausa.

Tabu, preconceito e desconhecimento

Embora a condição afete a maior parte da população – dados do Censo 2022 mostram que 51,5% da população brasileira era feminina – a menopausa ainda é cercada de tabu, preconceito e desconhecimento.

Pouco mais de um quarto (28%) dos brasileiros entrevistados acha que a menopausa é retratada de forma positiva na sociedade. Este número, no entanto, diminui para 24% dentre aquelas com experiência vivida. E globalmente, cai para 19% dentre as respondentes que possuem experiência pessoal com a menopausa.

A maioria (65%) dos brasileiros entrevistados acredita que a menopausa é um tema tabu e que as pessoas se sentem desconfortáveis ao discuti-lo. Dois terços (66%) acreditam que a menopausa e seus sintomas não são levados a sério. Este número sobe para 72% (versus 75% globalmente) entre as mulheres que possuem experiência pessoal com a menopausa.

Existem mais de 50 sintomas relacionados ao período de peri e pós-menopausa. Esses sintomas podem ser: cognitivos (como confusão mental e dificuldade de concentração), físicos (como queda de cabelo, dor nas articulações e osteoporose), urogenitais (como secura vaginal e incontinência por estresse) e vasomotores (com ondas de calor e suores noturnos). Mais de 80% das mulheres experienciam sintomas vasomotores, que são os que mais interferem na qualidade de vida da mulher, além de serem a principal causa pela qual elas procuram o tratamento.

No entanto, apenas 30% das pessoas acreditam ter um alto conhecimento sobre os sintomas da menopausa, enquanto 17% têm pouco ou nenhum conhecimento. O conhecimento é maior – mas ainda relativamente baixo – entre aquelas com experiência vivida: apenas 42% conhecem muito bem os sintomas. Esse dado cai ainda mais globalmente, em que 26% das mulheres com menopausa têm muito conhecimento sobre os sintomas.

“A menopausa é uma questão que não pode ser ignorada, mas ainda está envolvida em silêncio e mal-entendidos, sendo que o ônus imposto na saúde e qualidade de vida das mulheres é enorme”, diz a médica Thaís Ushikusa, ginecologista e diretora de Assuntos Médicos da Astellas no Brasil, em comunicado.

Vida profissional

O final da vida reprodutiva também impacta a vida profissional: 47% das brasileiras sofreram algum tipo de impacto negativo no local de trabalho, como redução da produtividade (26%), medo de contar aos colegas (17%) e até mesmo discriminação explícita (9%). Além disso, apenas 29% das trabalhadoras se sentem à vontade para conversar sobre o assunto com seu líder direto.

Novamente, os números brasileiros apontam um estigma maior para as mulheres no ambiente de trabalho: das respondentes globais, 36% tiveram impactos negativos no trabalho, 17% sinalizando a redução da produtividade, 14% com medo de contar aos colegas e 7% sofreram discriminação explícita.

Acesse a matéria no site de origem.

Nossas Pesquisas de Opinião

Nossas Pesquisas de opinião

Ver todas
Veja mais pesquisas