Quantas pessoas trans acessam o mercado de trabalho formal no Brasil? Há diferenças de renda entre pessoas trans e o restante da população? Perguntas como essas passam a ter respostas mais concretas a partir dos achados da pesquisa recém-lançada do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), intitulada “A inserção e as características das pessoas trans no assalariamento formal”.
O estudo aponta que apenas 25% das pessoas trans estão inseridas no mercado de trabalho formal. Entre aquelas que conseguem acessar esse tipo de vínculo empregatício, a renda média é de R$ 2.707, valor 32% inferior à média dos trabalhadores assalariados formais identificados na Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2023, que é de R$ 3.987.
Os dados também evidenciam desigualdades atravessadas por gênero e raça, indicando que a exclusão no mercado de trabalho não ocorre de forma homogênea dentro da própria comunidade trans.
É importante destacar que a pesquisa não compreende o total de pessoas trans no Brasil. Foram levadas em conta apenas aquelas que oficializaram sua mudança de gênero por meio da alteração formal de nome e/ou sexo/gênero.
Contudo, os números indicam iniquidades a que jornalistas, ativistas e responsáveis pela formulação de políticas públicas devem se atentar para que o acesso e a permanência de pessoas trans no mercado de trabalho formal evoluam nos próximos anos.
Para aprofundar os fatores por trás dos números, a Gênero e Número, em parceria com a Transmídia, entrevistou dois profissionais trans que atuam com projetos ligados a empregabilidade e geração de renda para pessoas trans: Ravi Matos, cientista social, especialista em Diversidade & Inclusão pela Escola Aberje de Comunicação e analista de projetos do Instituto Mais Diversidade e Camilo Nunes, articulador da Casa de acolhimento Neon Cunha, historiador e Conselheiro Municipal LGBT+ de São Paulo.