8 mi de mulheres em idade de risco de câncer moram em cidade sem mamógrafo

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Um universo de 7,7 milhões de mulheres com idade de maior risco de desenvolver câncer de mama moram em cidades sem nenhum mamógrafo no Brasil, diz levantamento que cruzou presença de aparelhos e dados populacionais.

(UOL, 22/10/2019 – acesse no site de origem)

O estudo foi realizado pela consultoria Exceed Américas, especializada em estatísticas de saúde, que afirma que o país tem aparelhos suficientes, mas mal distribuídos: 77% das cidades brasileiras não contam com um único aparelho.

O estudo utilizou dados do CNES (Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde) para a pesquisa.

“Pelo mapa analítico que desenvolvemos, identificamos 4.300 municípios que não têm sequer um mamógrafo”, diz Maria Regina Visani, consultora responsável pelo levantamento. “Nessas cidades, vivem cerca de 7,7 milhões de mulheres nas faixas etárias de maior risco.”

De acordo com o Ministério da Saúde, 20% das mulheres entre 40 e 49 aos precisam fazer pelo menos um exame por ano, índice que sobe para 60% entre as mulheres com 50 anos ou mais.

“Em um país continental como o nosso, é imprescindível que o Poder Público faça um mapeamento dos vazios assistenciais e desenvolva ações para atender à necessidade da população feminina de maior risco”, diz Visani.

A mamografia é uma ferramenta imprescindível para a detecção do câncer de mama em estágio inicial porque o aparelho rastreia a doença antes que ela possa ser identificada pelo autoexame.

“O mamógrafo é um aparelho que faz um Raio-X da mama”, explica o mastologista Bruno Leonardo de Souza. “É o exame capaz de detectar esse tipo de câncer de forma rápida e eficiente. Existem algumas alterações próprias da mama que só um mamógrafo é capaz de detectar.”

Em razão do envelhecimento populacional, o câncer de mama é um dos grandes desafios brasileiros em saúde, de acordo com o Inca (Instituto Nacional de Câncer). No Brasil, as estimativas de incidência da doença para 2019 são de 59.700 casos, 29,5% dos tumores em mulheres, excetuando-se o câncer de pele não-melanoma. Em 2016, 16.069 brasileiras morreram em razão desse tipo de tumor. “Quanto mais cedo ele é detectado e o tratamento iniciado, maior a probabilidade de cura”, lembra Visani.

Concentração

Com mais de 5.800 mamógrafos distribuídos por todos os estados, o Brasil conta com aparelhos de sobra para atender a população. Enquanto em algumas cidades a produção de exames chega a ser 55 vezes superior à necessidade, outras não chegam a oferecer o mínimo necessário.

Em Mato Grosso, por exemplo, o potencial de atendimento dos 107 mamógrafos em uso no estado é 3,9 vezes a necessidade do local. Já em Roraima, cinco aparelhos estão disponíveis para atender a um público-alvo estimado em 20,6 mil mulheres.

“A mamografia deveria ser estendida ao máximo possível pelo Brasil para um rastreamento mais efetivo da doença”, diz o mastologista. “É a forma mais simples de evitarmos a morte por câncer de mama no Brasil.”

Por Wanderley Preite Sobrinho

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