Câmara lança Frente Feminista e Antirracista com só 3% de mulheres negras

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A Câmara dos Deputados lança pela primeira vez em sua história, na tarde desta quinta-feira (23), uma Frente Parlamentar com Participação Popular Feminista e Antirracista, um grupo de parlamentares de vários partidos para debater o assunto com a população. Políticas públicas, novas leis e outras medidas podem ser tomadas a partir desses encontros, que não têm prazo para terminar.

(Universa, 23/05/2019 – acesse no site de origem)

Segundo a Agência Câmara, a frente, presidida pela deputada Érika Kokay (PT-DF), deve “debater propostas legislativas de interesse do segmento”. No entanto, 212 deputados que integram o grupo, apenas 35 são mulheres, das quais seis se declaram negras (pretas ou pardas). O número equivale a apenas 2,8% do total de membros da frente.

Essas deputadas são Talíria Petrone (PSOL-RJ), Áurea Carolina (PSOL-MG), Benedita da Silva (PT-RJ), professora Marcivania (PCdoB-AP), Rose Modesto (PSDB-MS) e Silvia Cristina (PDT-RO). Joenia Wapichana (Rede-RR), a primeira e única parlamentar indígena eleita no Brasil, também faz parte do grupo.

Entre os homens brancos, maioria no grupo, há um pastor, um frei e alguns delegados, além do deputado federal Tiririca (PR-SP).

Representatividade

Para efeitos de comparação, do total de 513 parlamentares, a atual Câmara dos Deputados tem 12 mulheres que se declaram pretas ou pardas — o dobro das que fazem parte da Frente Feminista e Antirracista.

Não se candidataram para participar da frente as parlamentares Flávia Arruda (PR-DF), Leda Maria Sadala Brito (Avante-AP),
Rosângela Gomes (PRB-RJ), Chris Tonietto (PSL-RJ) e Mariana Carvalho (PSDB-RO).

A deputada estadual Talíria Petrone disse a Universa acreditar que a frente, de certa forma, reflete o Congresso Nacional. “Lamentavelmente, o grupo representa o que é a maioria dessa Casa e a maioria em diferentes espaços de poder político no Brasil”.

Petrone pretende colocar em pauta temas como o fim do genocídio de jovens negros, o combate ao alargamento do estado penal, a igualdade salarial entre negros e brancos e a política de drogas — mas reconhece que não vai ser tarefa fácil.

“Será difícil dialogar, disso eu não tenho dúvidas”, disse. “É bastante difícil tratar essas questões no congresso, que é um dos mais conservadores da história, com muitos militares, representantes da família imperial”.

A deputada, que cumpre agenda política em Paris, participou do evento de lançamento na tarde de hoje na Câmara, em Brasília, representada por sua equipe. No Twitter, disse: “Todo apoio a essa iniciativa, que mostra o poder de nossa organização contra as opressões”.

Mariana Gonzalez

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