80% das mulheres com autismo ficam sem diagnóstico até os 18 anos

02 de abril, 2025 Agência Brasil Por Sayonara Moreno

Descoberta tardia da condição afeta a qualidade de vida.

Os dedos que hoje tateiam as teclas do piano ditam o compasso da história de muitas perguntas que levaram anos para serem respondidas. Com 33 anos de idade, a musicista Mariana Camelo recebeu, há cinco anos, o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Casos como o dela não são raros. De acordo com o Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, cerca de 80% das mulheres com autismo permanecem sem diagnóstico até os 18 anos.

Apesar dos muitos sinais na infância, que foram amenizados com atividades como balé e música, Mariana Camelo passou a vida se sentindo diferente, mas sem saber por que. A resposta para a moradora do Núcleo Bandeirante, no Distrito Federal, só veio depois de ela ter sido reprovada oito vezes no exame para tirar a carteira de motorista.

Mariana é uma das muitas pessoas adultas com dificuldade nas interações sociais. Sinais também presentes na estudante Carol Nobre, de 34 anos. A moradora de Florianópolis, em Santa Catarina, recebeu o diagnóstico somente aos 28, o que ajudou a entender melhor a infância que, apesar de trazer boas recordações para ela, foi difícil para a família.

A psicóloga da área de autismo do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, Jéssica Aquino, explica que os principais fatores que levam um adulto em busca de algum diagnóstico são essa dificuldades de sociabilização e quando alguma criança da família é diagnosticada.

As histórias de Mariana Camelo e de Carol Nobre se entrelaçam justamente nos sinais de comportamento que, apesar de terem surgido na infância, passaram despercebidos pela família. A psicóloga Jéssica Aquino destaca que as características de gênero esperadas, desde a infância, acabam dificultando o diagnóstico de autismo nas meninas; trazendo, segundo ela, a subnotificação.

Além disso, o médico neurologista Luiz Vilanova, membro da Academia Brasileira de Neurologia, explica que os transtornos descobertos na fase adulta, apresentam, geralmente, nível 1 de suporte, mesmo com dificuldades em interações sociais, se manifesta de forma mais leve.

O autismo se apresenta em três níveis de suporte. Por se tratar de um transtorno do neurodesenvolvimento, não tem cura, porque não é doença. No Brasil, são poucos os dados sobre o assunto. Um relatório de 2020, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos mostra que, atualmente, a cada quatro de homens, apenas uma mulher é diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

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