09/12/2011 – Estagiária denuncia escola por crime de racismo

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esterelisadasilvacezario_jeffersoncoppola_folhapress(Folha de S.Paulo) “Como você pode representar nosso colégio com esse cabelo crespo?”, perguntou a diretora do colégio Internacional Anhembi Morumbi, na zona sul de São Paulo, para a estagiária Ester Elisa da Silva Cesário.

Segundo Ester, em seu primeiro dia de trabalho como assistente de marketing, no dia 1º de novembro, a diretora do colégio reclamou de uma flor presa em seu cabelo e pediu para deixá-los presos. Dias depois, a diretora a teria chamado novamente para reclamar do cabelo e, conta Ester, a mulher foi além: disse que compraria camisas mais longas para que a funcionária escondesse seus quadris. “Como você pode representar nosso colégio com esse cabelo crespo?”, indagou a diretora, segundo a jovem. Ainda de acordo com a estagiária, a diretora contou que já teve cabelos crespos, mas os alisou para se adequar ao padrão de beleza exigido.

Foi a gota d’água para a estagiária procurar a polícia. Ester registrou um boletim de ocorrência na Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância). “A discriminação me afetou de tal forma que eu não consigo mais me olhar no espelho e mexer no meu cabelo. Ela [a diretora] mexeu com meu emocional. Estou triste e choro a todo instante”, diz. 

Secretaria da Justiça vai investigar denúncia
A Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania abriu processo administrativo para investigar denúncia. Segundo a secretária Eloisa de Sousa Arruda, a lei prevê para casos como esse multa, suspensão da licença de funcionamento e até mesmo a cassação.

Discriminação
Para o professor de direito constitucional da Fundação Getulio Vargas (FGV), Oscar Vilhena Vieira, casos como o de Ester são flagrantes desrespeitos à Constituição. Segundo ele, o caso pode gerar uma ação cível ou criminal. “Para isso, é preciso que fique demonstrada a intencionalidade da discriminação”, explica.

Colégio diz que não teve intenção de constranger
O colégio Internacional Anhembi Morumbi afirma, em nota, que a direção da escola e o restante da equipe de funcionários com a qual Ester Elisa da Silva Cesário trabalha nunca teve a intenção de causar qualquer constrangimento. De acordo com a nota, o colégio possui um modelo de aprendizagem inclusivo, que abriga professores, estudantes e funcionários de várias origens e tradições religiosas.

O uso de uniformes por alunos e funcionários é exigido para que o foco da atenção saia da aparência. A instituição afirma que ainda não foi notificada oficialmente sobre o boletim de ocorrência registrado pela estagiária.

O colégio também afirma que entende que o respeito às diferenças é um assunto sério e, por isso, colocou formalmente esse tema em seu estatuto e na grade curricular.

Acesse em pdf:
Secretaria da Justiça investiga denúncia de racismo em escola (Folha.com – 09/12/2011)
Encrespou (Folha de S.Paulo – 07/12/2011)
Colégio diz que não teve intenção de constranger (Folha de S.Paulo – 07/12/2011)

Assista à reportagem veiculada pelo Jornal Nacional, da Rede Globo: Polícia investiga denúncia de racismo contra estagiária de colégio em São Paulo (Jornal Nacional – 07/12/2011)

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