Abordagem da mídia nacional em relação ao zika desinforma

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(Marina Pita/Agência Patrícia Galvão, 01/04/2016) Especialistas apontam equívocos na cobertura da imprensa brasileira sobre a epidemia e a síndrome congênita relacionada. Mídia estrangeira mostra solidariedade

Outras doenças além da microcefalia associadas a zika Uol Nacho Doce ReutersEm Simpósio sobre os Direitos da Mulher, promovido pela Associação dos Advogados de São Paulo, profissionais debruçados sobre a emergência global em razão da síndrome do zika congênita fizeram críticas às limitações e equívocos da mídia nacional ao cobrir os fatos relacionados ao tema.

Provocado pela Agência Patrícia Galvão, o geneticista e especialista em medicina fetal Thomaz Gollop, professor da Universidade de São Paulo, criticou as reportagens que apresentam crianças e adolescentes com microcefalia. Segundo Gollop, as reportagens subjetivamente dão a entender que os bebês que estão nascendo com a microcefalia devido à síndrome do zika congênita podem ter uma vida praticamente normal. “A mídia precisa urgentemente retirar o termo microcefelia [para os casos de gravidez com zika] e começar a falar na síndrome”.

O especialista alerta que reportagens equivocadas desinformam a sociedade sobre a real situação que as mães de bebês com a síndrome do zika congênita enfrentarão. Esta confusão sobre o desenvolvimento futuro das crianças, aliás, está retratada em algumas reportagens, em que as mães demonstram ansiedade com o momento em que seus filhos começarão a andar.

Na opinião de Sinara Gumieri, advogada da Anis – Instituto de Bioética, há uma grande diferença no enquadramento da situação na mídia nacional e na estrangeira. Enquanto os veículos internacionais estão voltados para a situação das mulheres que estão vivendo a epidemia e a emergência de saúde pública relacionada à síndrome do zika congênita, os veículos nacionais estão falando sobre o vetor, os dados e a vida das pessoas com deficiência.

A diferença nas abordagens chamou a atenção a ponto de a Anis se movimentar para colocar as mulheres no foco do debate, a partir de um plano de litígio estratégico que visa garantir acesso à informação, planejamento familiar e assistência às mulheres e às crianças. A ideia é, com apoio de uma entidade parceira, apresentar uma ação de Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) para forçar o Estado brasileiro a garantir direitos constitucionais.

Thomaz Gollop e Debora Diniz, da Anis, são painelistas confirmados para o 9° Seminário Mulher e Mídia – Mídia, Zika e Direitos das Mulheres, que acontece em São Paulo nos dias 22 e 23 de abril.

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