25 a 27/11/09 – Aids cresce em meninas de 13 a 19 anos, próximo alvo da campanha de prevenção

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Na faixa etária dos 13 aos 19 anos, já são 10 meninas para 8 meninos infectados pelo HIV, enquanto na população em geral a relação é de 15 homens para cada 10 mulheres com a infecção. Segundo o Ministério da Saúde, essa tendência de aumento da epidemia entre as meninas não é nova, vem se mantendo nos últimos dez anos; em outras palavras, desde 1998 há 10 casos em meninas para oito em meninos.

 
Brasília - A diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, divulga o Boletim Epidemiológico Aids/DST 2009. O documento reúne os dados nacionais sobre aids e sífilis congênita Foto: Marcello Casal Jr/ABrEm 2010, a campanha de prevenção que o governo brasileiro lançará no Carnaval vai falar com as adolescentes, informou Mariângela Simão, coordenadora do Programa de DST/Aids do Ministério da Saúde, no evento de divulgação dos dados mais recentes de seu Boletim Epidemiológico.

Cresce entre meninas e diminui entre meninos
O relatório do Programa de Aids informa que, em 2007, foram registrados 315 casos novos de Aids entre garotas de 13 a 19 anos e em 235 meninos nessa faixa etária. A taxa de meninas infectadas cresceu de 2,3 por 100 mil habitantes em 1997 para 2,7 em 2007. Entre meninos, houve uma redução, de 2,2 para 1,9.

Segundo a diretora do Departamento Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, as garotas têm pouco poder de negociação para conseguir que os parceiros usem preservativo. “Nessa faixa etária, quem determina sobre o uso do preservativo é o menino. As meninas têm dificuldade de sair para uma balada e levar o preservativo, exigir do parceiro”, afirma Mariângela.

Quem ama não precisa de camisinha?
Pesquisa do Ministério da Saúde realizada com estudantes entre 2006 e 2007 mostrou que, quando questionadas sobre o motivo de não usar o preservativo na última relação sexual, a primeira razão que as meninas apontaram foi a confiança no parceiro, enquanto entre os meninos somente 7% apontaram esse motivo.

Como interpretar esses dados?

A Agência Patrícia Galvão preparou essas e outras sugestões de pautas que envolvem as mulheres e o HIV/Aids, com abordagens diferenciadas e indicação de fontes qualificadas:

Enquanto o número de infecções por HIV cai na população em geral, os casos aumentam entre jovens e mulheres com mais de 50 anos.
O que elas têm em comum? Mais dificuldade para negociar o uso do preservativo com seus parceiros, dizem os especialistas. O que faz parte dessa negociação? O que as garotas e as mulheres acima dos 50 priorizam no diálogo com os parceiros? A prevenção é tema de conversa? As garotas conversam sobre o uso da camisinha? Qual a reação dos parceiros? Ou a dificuldade está em manifestar claramente que quer ter uma relação protegida?

O que é “negociar” o uso do preservativo? E como é para as garotas?
O que cada uma das partes tem para negociar? Se por razões culturais as garotas ainda estão menos acostumadas a ouvir e a falar de maneira livre e direta sobre sexo, elas terão maior dificuldade para assumir um papel ativo em qualquer tipo de negociação.

Acesse essas matérias em pdf: O Estado de S.Paulo – 25/11/09 e Folha de S.Paulo – 27/11/09

Veja também o Boletim Epidemiológico 2009 (Ministério da Saúde – 25/11/09)


Indicação de fontes:

Cristina Pimenta – psicóloga e coordenadora da ABIA
Abia – Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids
Rio de Janeiro/RJ
(21) 2223-1040
[email protected]
Fala sobre: direitos dos/as soropositivos; políticas para prevenção e tratamento

Regina Barbosa – médica e pesquisadora
Núcleo de Estudos de População da Unicamp
São Paulo/SP
(19) 3521-5907
[email protected]
Fala sobre: saúde coletiva; políticas de Aids; prevenção, controle, diagnóstico e tratamento da Aids entre mulheres

Mafoane Odara Poli Santos – psicóloga e pesquisadora do Nepaids
Núcleo de Estudos para a Prevenção da Aids (Nepaids) do Instituto de Psicologia da USP
São Paulo/SP
(11) 3061-0620
Fala sobre: juventude, sexualidade e relações sexuais

Vera Paiva – psicóloga e pesquisadora do Nepaids
Núcleo de Estudos para a Prevenção da Aids (Nepaids) do Instituto de Psicologia da USP
São Paulo/SP
(11) 3091-4184
Fala sobre: sexualidade; prevenção, direito de ter filhos; atenção psicossocial

Wilza Villela – médica e pesquisadora da Unifesp
Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Unifesp
São Paulo/SP
11 5572-0609
[email protected]
Fala sobre: políticas de Aids; vulnerabilidade das mulheres ao HIV

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